Exclusivo: José Francisco Manssur alerta que proibição das apostas fortalecerá mercado ilegal em julgamento do STF
Julgamento marcado para esta quarta-feira (o5) pode influenciar os rumos do setor de apostas no Brasil, e especialista defende que a regulação é o único caminho eficaz para combater a ilegalidade
Thaynara Godinho em 4 de agosto de 2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve realizar, nesta quarta-feira (5), um julgamento considerado estratégico para o futuro do mercado de apostas no Brasil. A Corte analisará o Recurso Extraordinário 966177, que discute se a classificação da exploração e da manutenção de jogos de azar como contravenção penal continua compatível com a Constituição Federal.
Embora o processo trate da constitucionalidade da tipificação penal dos jogos de azar, o tema desperta atenção entre empresas licenciadas e especialistas do setor por seu potencial impacto no ambiente regulatório brasileiro.
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Em entrevista exclusiva, o advogado José Francisco Manssur afirmou que qualquer movimento em direção à proibição tende a produzir o efeito contrário ao desejado, fortalecendo justamente os operadores ilegais.
O caso será relatado pelo ministro Luiz Fux e reúne diversos participantes admitidos como amicus curiae, entre eles o Instituto Brasileiro Jogo Legal (IBJL), a Defensoria Pública da União, a Associação dos Bingos (ASBIN) e a Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-Prefeitos da República Federativa do Brasil.
A decisão poderá consolidar o entendimento da Corte sobre a permanência da criminalização prevista na legislação de contravenções penais, tema que vem sendo debatido diante das transformações ocorridas no setor de apostas nos últimos anos.
Embora o julgamento não trate diretamente da regulamentação das apostas de quota fixa, especialistas acompanham o caso por entenderem que o posicionamento do STF poderá influenciar futuras discussões envolvendo o segmento.
Um dos principais nomes envolvidos na construção da regulamentação das apostas esportivas no Brasil, José Francisco Manssur participou da elaboração das normas durante sua atuação como assessor especial da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda.
Atualmente professor universitário e sócio da CSMV Advogados, Manssur também é um dos autores da legislação que criou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Na avaliação do especialista, a experiência internacional demonstra que o combate aos problemas relacionados às apostas passa necessariamente por um ambiente regulado.
"É muito importante que, nesse momento, o Supremo Tribunal Federal tenha a percepção de que é uma dedução científica e comprovada de que não há saída para o enfrentamento do problema senão a regulação", afirmou.
Segundo Manssur, o Brasil já possui um modelo regulatório em funcionamento, que pode ser aperfeiçoado para aumentar a fiscalização, proteger os consumidores e combater práticas ilícitas.
Para ele, qualquer tentativa de proibição abriria espaço para o crescimento de operadores clandestinos, reduzindo o controle do Estado sobre a atividade.
"A regulação que já existe e o aprimoramento da regulação que já existe são as únicas maneiras de enfrentar o caso. Qualquer hipótese de proibição só vai beneficiar os operadores ilegais, aumentar a ocupação desse segmento pelo crime organizado e fazer com que se crie um mercado clandestino que não vai observar nem respeitar nenhuma lei", declarou.
O advogado acrescentou que espera que os ministros levem em consideração os estudos e evidências disponíveis sobre os efeitos da regulamentação em outros mercados.
"A gente espera dos ministros que eles tenham essa percepção, porque há muito material comprovando essa posição."
O julgamento ocorre em um momento de consolidação do mercado regulado de apostas no Brasil, que passou por mudanças significativas após a implementação das novas regras federais.
Independentemente do resultado, a análise do STF será acompanhada de perto por operadores licenciados, entidades representativas e especialistas jurídicos, que avaliam que o entendimento da Corte poderá servir como referência para futuras discussões envolvendo a política pública sobre jogos e apostas no país.
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