Sydney Sweeney causa revolta entre atletas olímpicas após campanha para plataforma de apostas
Atriz estrelou campanha da Novig com referências a diferentes modalidades esportivas e poses sensuais; atletas acusam publicidade de reforçar a sexualização das mulheres no esporte
Thaynara Godinho em 15 de setembro de 2026

Uma campanha publicitária da plataforma de apostas esportivas Novig, protagonizada pela atriz americana Sydney Sweeney, provocou forte reação entre atletas olímpicas e outras esportistas. O anúncio, que apresenta a artista em poses sensuais e com elementos associados a modalidades esportivas, foi criticado por supostamente reforçar a objetificação e a sexualização das mulheres no ambiente esportivo.
O vídeo, com cerca de 58 segundos, passou a circular nas redes sociais na sexta-feira (11). Na produção, Sweeney aparece utilizando acessórios relacionados a esportes, como luvas de boxe, bolas, uma raquete e um taco de golfe. A mensagem da campanha destaca que a plataforma oferece apostas relacionadas ao esporte, afastando-se de temas como política, guerras e mortes.
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Além de participar da campanha, Sydney Sweeney é acionista da Novig. A repercussão gerou manifestações de atletas de diferentes países, que questionaram a escolha da publicidade e a maneira como o corpo feminino é utilizado para promover produtos ligados ao universo esportivo.
Uma das manifestações de maior repercussão veio da australiana Ariarne Titmus, tetracampeã olímpica na natação. A atleta afirmou estar revoltada com a campanha e criticou a utilização da imagem feminina em uma publicidade relacionada ao esporte.
Segundo Titmus, mulheres dedicam anos de treinamento para alcançar alto rendimento e deveriam ser reconhecidas por atributos como dedicação, talento, trabalho em equipe e conquistas. Para ela, campanhas como a da Novig contribuem para manter a sexualização dos corpos femininos presente no esporte.
A nadadora também destacou que a discussão vai além de uma única peça publicitária e envolve a forma como as mulheres são apresentadas e percebidas dentro do ambiente esportivo.
A triatleta francesa Mathilde Tily também se posicionou contra a campanha. Nas redes sociais, classificou o material como inadequado e questionou até que ponto uma mulher deveria aceitar participar de uma produção desse tipo por razões financeiras.
A esportista relacionou a polêmica a uma luta mais ampla das atletas por igualdade de reconhecimento e remuneração. Na avaliação dela, a exposição dos corpos femininos entra em contradição com os esforços realizados por mulheres que buscam maior valorização profissional no esporte.
A discussão ganhou força justamente em um cenário no qual atletas femininas continuam cobrando maior visibilidade, investimentos e reconhecimento em relação às suas performances.
A australiana Brianna Throssell, campeã olímpica no revezamento 4x100 metros livre nos Jogos de Tóquio, também decidiu responder à campanha.
A nadadora publicou imagens feitas durante competições e apresentou uma contraposição direta à estética utilizada pela publicidade. A mensagem buscou destacar o cotidiano das atletas dentro das piscinas e o esforço físico envolvido no alto rendimento.
A publicação rapidamente se tornou parte da discussão nas redes sociais sobre a diferença entre representar mulheres praticando esportes e utilizar elementos esportivos como cenário para uma campanha de forte apelo sensual.
A velocista americana Gabby Thomas, campeã olímpica dos 200 metros, também manifestou apoio às críticas feitas à campanha.
Na Europa, a britânica Amy Hunt se juntou ao movimento durante um evento realizado em Budapeste. A atleta utilizou uma mensagem semelhante à de Throssell para defender que a representação do esporte feminino deveria priorizar o desempenho, a preparação e as conquistas das competidoras.
As manifestações mostram que a repercussão ultrapassou as redes sociais e alcançou atletas de diferentes modalidades e nacionalidades.
Diante da repercussão negativa, Sydney Sweeney decidiu responder às críticas por meio das redes sociais. A atriz compartilhou imagens de capas e ensaios da revista ESPN protagonizados por atletas conhecidas mundialmente.
Entre as referências publicadas por Sweeney estavam nomes como Serena Williams, Ronda Rousey e Megan Rapinoe, esportistas que já participaram de produções fotográficas com pouca roupa.
A estratégia foi interpretada como uma tentativa de mostrar que atletas também podem escolher como desejam apresentar seus próprios corpos e que ensaios sensuais não seriam, necessariamente, incompatíveis com a carreira esportiva.
Em entrevista à revista Variety, Sweeney afirmou que a intenção da campanha era adotar uma abordagem divertida e bem-humorada. De acordo com a atriz, a proposta não seria desviar a atenção do esporte, mas utilizá-lo como elemento central de uma publicidade com linguagem descontraída.
A declaração, porém, não encerrou a discussão. Parte das críticas permanece concentrada na maneira como a campanha associa o corpo feminino à divulgação de uma empresa de apostas esportivas.
A controvérsia envolvendo Sydney Sweeney e a Novig também reacende uma discussão mais ampla sobre os limites da publicidade no mercado de apostas esportivas.
Com o crescimento da indústria de betting e a busca das empresas por campanhas capazes de gerar grande alcance nas redes sociais, celebridades e influenciadores passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas estratégias de divulgação.
Ao mesmo tempo, a utilização da imagem feminina em campanhas publicitárias continua provocando debates sobre objetificação, autonomia e representatividade. No caso da Novig, a reação das atletas transformou uma ação promocional em uma discussão sobre a forma como o esporte feminino é apresentado ao público.
A repercussão evidencia o desafio enfrentado pelas marcas: encontrar formas de comunicação que sejam chamativas e gerem engajamento sem reforçar estereótipos que atletas e organizações esportivas vêm tentando combater há anos.
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