Apostas online crescem quase 300% durante a Copa do Mundo de 2026, mesmo sem o Brasil na disputa
Mesmo com a eliminação precoce da Seleção Brasileira e o aumento da pressão sobre a publicidade das bets, o Mundial impulsionou um forte crescimento no número de apostadores e de transações realizadas nas plataformas licenciadas
Thaynara Godinho em 21 de julho de 2026

Durante a Copa do Mundo de 2026, o mercado brasileiro de apostas esportivas registrou uma forte expansão, mesmo sem a presença da Seleção Brasileira nas fases decisivas do torneio. Dados preliminares do setor apontam que o número de apostadores e de depósitos realizados em plataformas de bets aumentou cerca de 300% em relação ao mês de maio, período em que não havia jogos da competição.
Embora o crescimento tenha ficado ligeiramente abaixo das projeções feitas antes do Mundial, especialistas avaliam que o evento confirmou o potencial das grandes competições esportivas para movimentar o mercado regulado de apostas no Brasil.
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Segundo empresas que atuam no setor de pagamentos para apostas, o principal avanço ocorreu na quantidade de usuários realizando apostas e na frequência dos depósitos, e não necessariamente no valor gasto por cada apostador.
De acordo com Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, instituição especializada em pagamentos para plataformas de apostas, houve uma explosão no volume de transações durante a competição.
Apesar do crescimento expressivo da movimentação financeira, o valor médio depositado por usuário permaneceu relativamente estável, indicando que o aumento foi impulsionado principalmente pela entrada de novos apostadores e pela maior participação dos usuários já cadastrados.
Levantamento realizado pela plataforma financeira Klavi mostrou que o valor médio dos depósitos passou de R$ 188 antes do Mundial para R$ 245,05 durante a competição.
Nos dias que antecederam os jogos da Seleção Brasileira, os depósitos atingiram seus maiores níveis, ultrapassando R$ 400 em média em alguns momentos.
Já na decisão entre Espanha e Argentina, disputada em 19 de julho, a média voltou a recuar, ficando em R$ 172, demonstrando que o interesse do público brasileiro era significativamente maior durante as partidas envolvendo o Brasil.
O comportamento dos usuários também revelou um padrão recorrente: o volume de transações aumenta intensamente cerca de uma hora antes do início das partidas, alcançando seu pico poucos minutos antes do apito inicial e diminuindo rapidamente após o começo do jogo.
Dados utilizados pelo setor, com base em informações do Ministério da Fazenda, indicam que aproximadamente 60% dos apostadores depositam menos de R$ 100 nas plataformas.
Por outro lado, a maior parte do volume financeiro movimentado está concentrada em um grupo menor de usuários, responsável pelos maiores depósitos realizados.
Esse comportamento reforça que, embora exista uma ampla base de apostadores ocasionais, uma parcela reduzida concentra boa parte dos valores movimentados pelas plataformas.
Antes do início da Copa, a consultoria H2 Gambling Capital estimava que o torneio poderia gerar um excedente de aproximadamente R$ 20 bilhões em depósitos ao longo de 2026.
Com os dados ainda sendo consolidados, representantes da consultoria afirmam que o resultado final deverá ficar um pouco abaixo dessa expectativa inicial, embora continue representando um dos maiores volumes já registrados pelo mercado brasileiro de apostas esportivas.
Enquanto o setor comemorava o aumento da movimentação financeira, a intensa presença das casas de apostas durante as transmissões da Copa gerou forte repercussão entre autoridades e órgãos públicos.
Em resposta ao debate, o Ministério da Fazenda publicou novas portarias reforçando as regras para campanhas publicitárias das empresas autorizadas a operar no país.
Desde 17 de julho, toda comunicação comercial das plataformas de apostas deve apresentar obrigatoriamente uma das seguintes mensagens:
As medidas fazem parte do processo de fortalecimento da regulamentação federal das apostas de quota fixa e buscam ampliar a proteção ao consumidor.
Representantes da indústria demonstraram preocupação com o aumento das restrições à publicidade das apostas esportivas.
Na avaliação da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), novas limitações podem reduzir a visibilidade das empresas devidamente licenciadas e favorecer operadores clandestinos, que continuam atuando fora das regras estabelecidas pelo governo federal.
O argumento do setor é que as empresas autorizadas já cumprem exigências regulatórias, recolhem tributos e pagam licenças de elevado valor para operar legalmente no país.
A exibição de publicidade de apostas nas transmissões esportivas também passou a ser analisada por órgãos de defesa do consumidor.
A repercussão nas redes sociais, especialmente envolvendo anúncios exibidos durante as transmissões da CazéTV, motivou a abertura de procedimentos administrativos pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
A emissora, patrocinada por operadores de apostas durante a Copa, afirmou que todas as inserções publicitárias respeitaram a legislação vigente e que comentários esportivos realizados por narradores e comentaristas não configuram publicidade irregular.
Ao mesmo tempo, movimentos da sociedade civil e integrantes do Ministério Público defendem o endurecimento das regras para limitar a presença das casas de apostas em redes sociais, transmissões esportivas, patrocínios de clubes, atletas e influenciadores digitais.
Mesmo diante da crescente pressão regulatória e do debate sobre publicidade responsável, os números registrados durante a Copa do Mundo demonstram que grandes eventos esportivos continuam sendo um dos principais motores de crescimento do mercado de apostas online no Brasil.
Com a consolidação dos dados oficiais prevista para os próximos meses, o setor espera confirmar um dos maiores volumes de movimentação já registrados desde o início da regulamentação das apostas esportivas no país.
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