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Brasileiros desconfiam de influenciadores de bets: maioria tem visão negativa sobre publicidade do setor

Levantamento inédito revela que mais da metade da população avalia de forma negativa influenciadores que promovem casas de apostas, enquanto debate sobre regras para publicidade ganha força no Brasil

Thaynara Godinho em 3 de agosto de 2026

Brasileiros desconfiam de influenciadores de bets: maioria tem visão negativa sobre publicidade do setor

A imagem dos influenciadores digitais que promovem plataformas de apostas esportivas enfrenta um momento de desgaste no Brasil. Uma pesquisa inédita realizada pela More in Common em parceria com o Ipsos-Ipec mostra que 51% dos brasileiros têm uma percepção negativa dessas personalidades, refletindo uma crescente preocupação com os impactos da publicidade de bets.

 

O levantamento, divulgado pela BBC News Brasil, indica que apenas 9% dos entrevistados possuem uma avaliação positiva sobre influenciadores que anunciam casas de apostas. Outros 19% afirmaram manter uma posição neutra, enquanto o restante não soube responder.

 

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O resultado surge em um cenário de expansão dos investimentos em marketing pelas empresas do setor, ao mesmo tempo em que o país adota regras mais rígidas para a publicidade de apostas.

 

Publicidade bilionária enfrenta aumento da rejeição

 

Mesmo diante da crescente desconfiança do público, os investimentos em publicidade das empresas de apostas continuam em ritmo acelerado.

 

Segundo estimativas divulgadas pelo Itaú em relatório de 2024, o mercado destinou entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões para ações de marketing. A expectativa é de que esse volume continue aumentando nos próximos anos, impulsionado principalmente pelos patrocínios esportivos.

 

Nos últimos dois anos, o valor investido em patrocínios master de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro cresceu 125%, consolidando o segmento entre os maiores anunciantes da televisão brasileira.

 

Brasileiros associam influenciadores à falta de responsabilidade

 

Entre os entrevistados que manifestaram uma visão negativa, os motivos apresentados revelam forte preocupação com a responsabilidade social dos criadores de conteúdo.

 

De acordo com a pesquisa:

  • 22% classificam esses influenciadores como irresponsáveis, manipuladores, egoístas ou sem ética;
  • 17% afirmam que eles exercem uma influência negativa e exploram pessoas vulneráveis;
  • 8% acreditam que atuam apenas em benefício próprio;
  • 4% dizem ter deixado de seguir essas personalidades ou defendem punições e até a proibição desse tipo de publicidade.

 

Os dados sugerem que a percepção pública vai além da simples divulgação comercial, envolvendo também questões relacionadas à credibilidade e ao impacto social das campanhas.

 

Publicidade de bets afeta confiança em artistas e atletas

 

O estudo também analisou como os anúncios de apostas influenciam a confiança do público em celebridades.

 

Para 40% dos entrevistados, a participação de influenciadores, artistas e atletas em campanhas publicitárias de bets reduz a credibilidade dessas figuras públicas.

 

Já 53% afirmaram que esse tipo de publicidade não altera sua confiança, enquanto apenas 4% disseram confiar mais em personalidades que fazem esse tipo de anúncio.

 

Outros 4% não souberam responder.

 

Público de maior renda demonstra maior resistência

 

A pesquisa aponta que a rejeição é ainda mais intensa entre brasileiros com maior nível de escolaridade e renda.

 

Entre pessoas com ensino superior, 48% afirmaram confiar menos em influenciadores que promovem apostas. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, esse índice chega a 46%.

 

Para o diretor-executivo da More in Common no Brasil, Pablo Ortellado, esse comportamento representa um risco para quem aceita contratos de publicidade com empresas do setor.

 

Segundo ele, embora as campanhas ofereçam retorno financeiro imediato, o desgaste na reputação pode comprometer o relacionamento com um público considerado estratégico para futuras ações comerciais e de monetização.

 

Mercado regulado e plataformas ilegais são diferenciados pelo setor

 

A repercussão dos dados também gerou manifestações de representantes da indústria de apostas.

 

O presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, destacou que é necessário diferenciar influenciadores que divulgam operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda daqueles que promovem plataformas ilegais.

 

Segundo ele, empresas não regulamentadas desrespeitam normas de publicidade, utilizam promessas enganosas de lucro fácil e frequentemente direcionam campanhas para públicos que não deveriam ser alcançados, como menores de idade.

 

Até a divulgação da pesquisa, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) não havia se pronunciado sobre o levantamento.

 

Regras para publicidade de apostas ficaram mais rígidas

 

A divulgação da pesquisa ocorre em um período de mudanças importantes na regulamentação da publicidade de apostas no Brasil.

 

Em julho, o governo federal publicou novas regras que ampliaram as exigências para campanhas de empresas autorizadas a operar no país.

 

Entre as determinações estão a obrigatoriedade de mensagens de advertência sobre os riscos das apostas, além da proibição de conteúdos que:

 

  • apresentem apostas como forma de investimento ou fonte de renda;
  • prometam ganhos fáceis;
  • utilizem senso de urgência para incentivar apostas;
  • empreguem comentaristas, especialistas ou influenciadores para estimular diretamente o público a apostar.

 

Além das normas federais, estados e municípios também vêm adotando restrições próprias para a publicidade do setor. Algumas capitais brasileiras já aprovaram legislações específicas, enquanto outras discutem projetos semelhantes em seus respectivos legislativos.

 

Debate sobre publicidade deve continuar

 

Para especialistas, os dados da pesquisa indicam que o debate sobre a publicidade das apostas esportivas está longe de terminar.

 

Apesar das recentes mudanças regulatórias, há avaliações de que o Brasil ainda possui regras menos restritivas do que outros mercados internacionais, onde existem limitações de horários para veiculação de anúncios e restrições à publicidade durante eventos esportivos.

 

Com a crescente preocupação da população sobre os efeitos das apostas na sociedade, a tendência é que a discussão sobre novas medidas regulatórias permaneça em evidência nos próximos meses, acompanhando a evolução do mercado brasileiro de apostas de quota fixa.

 

🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia. Jogue com responsabilidade. Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento.

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