Confronto com bets não melhora imagem de Lula entre evangélicos, aponta estudo da ANJL
Levantamento realizado na Grande São Paulo indica que apostas esportivas têm peso mínimo na rejeição ao presidente entre eleitores evangélicos; corrupção, segurança pública e pautas de costumes lideram preocupações
Thaynara Godinho em 5 de junho de 2026

A estratégia de intensificar críticas ao setor de apostas esportivas pode não trazer os resultados eleitorais esperados pelo governo federal entre o público evangélico. É o que aponta um estudo encomendado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias, que revelou que as bets aparecem de forma praticamente irrelevante entre os motivos de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse segmento do eleitorado.
Realizada na Região Metropolitana de São Paulo, a pesquisa mostra que apenas 1% dos entrevistados evangélicos citaram as plataformas de apostas online como razão para desaprovar o atual governo. O resultado contrasta com o discurso adotado recentemente pelo presidente, que tem aumentado o tom das críticas ao setor em meio às articulações políticas para as eleições de 2026.
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De acordo com o levantamento, a principal causa de rejeição ao presidente entre os evangélicos está relacionada à corrupção, mencionada por 34,5% dos entrevistados.
Na sequência aparecem temas ligados à ideologia de gênero e à segurança pública, que figuram entre as maiores preocupações desse eleitorado. Outros assuntos frequentemente citados incluem decisões do Supremo Tribunal Federal, socialismo e aborto.
Questões ligadas à religião e ao combate ao narcotráfico também foram lembradas pelos participantes da pesquisa, registrando índices superiores ao das apostas esportivas.
Para o consultor jurídico da ANJL, Bernardo Cavalcanti Freire, os números demonstram que as apostas não ocupam posição central no debate político entre os evangélicos.
“Os dados mostram que o debate sobre apostas não ocupa o espaço central da agenda dessa parcela do eleitorado”, afirmou.
O estudo também analisou o relacionamento desse público com as apostas esportivas. Os resultados indicam um baixo nível de participação.
Menos de 3% dos entrevistados afirmaram apostar regularmente, enquanto apenas 12% disseram já ter realizado alguma aposta em algum momento da vida. A ampla maioria declarou nunca ter participado desse tipo de atividade.
Os números reforçam a percepção de que as bets não fazem parte da rotina da maior parte dos evangélicos, o que ajuda a explicar a baixa relevância do tema entre as preocupações apontadas na pesquisa.
Outro ponto destacado pelo levantamento foi a dificuldade de parte dos entrevistados em diferenciar apostas esportivas de jogos de azar tradicionais.
Embora mais da metade dos participantes tenha afirmado conhecer a diferença entre as modalidades, a análise das respostas identificou inconsistências que sugerem um entendimento limitado sobre o assunto.
Segundo o estudo, muitos entrevistados confundem apostas baseadas em eventos esportivos reais, que dependem do desempenho de atletas e equipes, com jogos totalmente aleatórios, como caça-níqueis e outras modalidades de azar.
Essa falta de compreensão acaba influenciando as opiniões sobre regulamentação e proibição do setor.
A pesquisa também avaliou a percepção dos evangélicos sobre o futuro das apostas esportivas no Brasil.
Embora a maioria tenha se mostrado favorável à extinção das bets, o levantamento identificou que cerca de metade desse grupo admitiu não saber distinguir corretamente apostas esportivas de jogos de azar.
Quando esse fator é considerado, o apoio à proibição tende a ser significativamente menor. Já os entrevistados que defendem a regulamentação ou até mesmo uma maior liberdade para o setor representam quase 40% da amostra analisada.
O estudo foi conduzido poucas semanas após Lula reforçar críticas ao mercado de apostas online. Em declarações recentes, o presidente comparou as plataformas de apostas a cassinos dentro das residências brasileiras e associou o tema a valores morais e religiosos.
Analistas políticos interpretam a movimentação como parte de uma estratégia para ampliar a aproximação do governo com o eleitorado evangélico visando a disputa presidencial de 2026.
No entanto, os resultados da pesquisa da ANJL sugerem que a pauta das apostas esportivas possui influência limitada sobre esse público, enquanto temas como corrupção, segurança pública e pautas de costumes continuam sendo os principais fatores que moldam a opinião dos eleitores evangélicos.
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