Executivos das bets criticam projeto que restringe publicidade no futebol brasileiro e apontam risco ao mercado regulado
Proposta aprovada na CCT do Senado proíbe publicidade das apostas em todo o país e gera reação de empresários, juristas e especialistas do setor
Thaynara Godinho em 23 de fevereiro de 2026

A proposta que altera a Lei das Apostas Esportivas e proíbe a publicidade das empresas de betting em todo o território nacional avançou no Senado Federal. O texto foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) e agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O projeto prevê a proibição de anúncios em televisão, rádio, jornais, revistas e redes sociais, além de vedar patrocínios a clubes esportivos, eventos, programas de TV e transmissões esportivas. A proposta também impede a pré-instalação de aplicativos de apostas em celulares, tablets e smart TVs.
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A iniciativa provocou reação imediata de executivos, advogados e representantes do setor, que apontam risco de insegurança jurídica e fortalecimento do mercado ilegal.
Para Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do escritório Betlaw, a proibição ocorre justamente no momento em que o mercado regulado começa a se estruturar no Brasil.
Segundo ele, impedir a publicidade de empresas autorizadas pode abrir espaço para operadores clandestinos, que não seguem regras nem passam por fiscalização.
“A publicidade dos operadores regulamentados já está sujeita a regras rígidas. O foco deveria estar no combate à propaganda abusiva e, principalmente, na atuação das empresas ilegais”, afirmou.
Alex Rose, CEO da InPlaySoft, empresa britânica de tecnologia para operadores de apostas, também defende que a visibilidade das marcas legalizadas é parte do processo de organização do mercado.
Para ele, mercados regulados dependem de informação clara ao consumidor para diferenciar plataformas autorizadas das que operam à margem da lei.
O debate ganha ainda mais relevância diante da forte presença das casas de apostas no futebol nacional.
O Campeonato Brasileiro Série A de 2026 começou com cerca de 60% dos clubes patrocinados por empresas do setor. Entre eles estão:
Flamengo
Fluminense
Botafogo
Palmeiras
Corinthians
São Paulo
Cruzeiro
Atlético Mineiro
Além deles, outras equipes também mantêm acordos comerciais com empresas de betting.
Em 2025, dezenas de clubes divulgaram um manifesto afirmando que a proibição poderia gerar uma perda anual imediata estimada em R$ 1,6 bilhão para o futebol brasileiro, com impacto direto em salários, categorias de base, estrutura e competições.
Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador da Ana Gaming, holding das marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, afirma que a publicidade responsável ajuda a informar o consumidor e fortalecer a confiança no mercado.
Ivan Dutra, CEO da Luck.bet, argumenta que, após a regulamentação do setor, as empresas legalizadas passaram a seguir normas ainda mais rígidas, inclusive sob supervisão de órgãos de autorregulação como o Conar.
Segundo ele, campanhas dentro da legalidade contribuem para educação financeira e conscientização sobre jogo responsável.
O texto aprovado na CCT estabelece penalidades que vão desde advertência até multa que pode variar entre R$ 5 mil e R$ 10 milhões. Também estão previstas suspensão e cassação da autorização para operar apostas de quota fixa.
O presidente da CCT, senador Flávio Arns (PSB-PR), informou que a proposta pode ser ampliada na CCJ com a inclusão de outros projetos que tratam do mesmo tema.
Diego Bittencourt, CMO da Start Bet, afirma que o setor movimenta uma cadeia produtiva que vai além do esporte, envolvendo marketing, tecnologia, comunicação e serviços.
João Fraga, CEO da Paag, reforça que o mercado precisa de fiscalização ativa e critérios objetivos, e não de restrições amplas que possam empurrar a atividade para a informalidade.
Já Eduardo Biato, CSO da 1PRA1 e patrocinadora máster do Avaí FC, afirma que a regulamentação trouxe um novo patamar de responsabilidade para o setor e que a comunicação das empresas legalizadas cumpre papel fundamental de orientação ao consumidor.
O psicólogo Cristiano Costa, diretor de conhecimento da EBAC, acrescenta que estratégias puramente repressivas costumam ter eficácia limitada e que a comunicação adequada pode contribuir inclusive para ações ligadas à saúde mental e prevenção ao vício.
Com o avanço da proposta para a Comissão de Constituição e Justiça, o debate tende a ganhar novos contornos políticos e jurídicos.
De um lado, parlamentares defendem maior rigor na proteção ao consumidor. De outro, representantes do mercado regulado afirmam que a proibição ampla pode enfraquecer empresas legalizadas, reduzir arrecadação e comprometer financeiramente o futebol brasileiro.
O desfecho do tema deverá impactar diretamente o futuro da publicidade esportiva e o modelo de funcionamento do mercado de apostas no Brasil.
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