Governo registra alta de 140% na procura por tratamento contra dependência em apostas online
Dados apresentados em audiência na Câmara mostram aumento da demanda por atendimento no SUS e mais de 500 mil pedidos de autoexclusão de plataformas de apostas
Thaynara Godinho em 1 de junho de 2026

A procura por serviços de saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à dependência em jogos online cresceu quase 140% nos últimos cinco anos. Os números foram apresentados pelo Ministério da Saúde durante uma audiência pública realizada na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, que debateu os impactos das apostas online na sociedade brasileira.
O encontro foi solicitado pelo deputado Vander Loubet e contou com o apoio dos parlamentares Helder Salomão, Lindbergh Farias e Zé Neto. Durante a audiência, representantes do governo federal apresentaram dados sobre o avanço das apostas online no país e as medidas que vêm sendo adotadas para enfrentar os problemas relacionados ao jogo compulsivo.
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Durante o debate, o Ministério da Fazenda informou que mais de 500 mil pessoas já solicitaram a exclusão por tempo indeterminado de plataformas de apostas por meio da ferramenta de autoexclusão disponível no portal Gov.br.
Segundo o governo, a principal justificativa apresentada pelos usuários foi a perda de controle sobre o hábito de apostar. A medida permite que o próprio cidadão bloqueie seu acesso às plataformas regulamentadas, funcionando como um mecanismo de proteção para quem identifica sinais de comportamento compulsivo.
Representando o Ministério da Saúde, Marcelo Dias explicou que o aumento da demanda levou o governo a desenvolver uma plataforma de atendimento digital dentro do Meu SUS Digital voltada para pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas.
Antes de acessar o atendimento, os usuários realizam um autoteste que ajuda a identificar o grau de comprometimento e os possíveis sinais de dependência. A iniciativa busca ampliar o acesso ao suporte psicológico e facilitar o encaminhamento para tratamento especializado.
De acordo com Marcelo Dias, a expansão das plataformas de apostas ocorreu de forma intensa durante a pandemia da Covid-19, período em que o setor operava com menos restrições. Segundo ele, esse cenário contribuiu para o aumento dos casos de dependência observados atualmente.
O representante do ministério destacou que muitos usuários iniciam suas experiências com ganhos iniciais, o que incentiva a continuidade das apostas. Com o passar do tempo, parte dos apostadores passa a tentar recuperar valores perdidos, comportamento que pode levar ao endividamento e ao agravamento da compulsão.
Durante a audiência, Leandro Lucchesi, representante da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, afirmou que a regulamentação do setor reduziu a atuação de diversas operadoras e estabeleceu limites para práticas consideradas prejudiciais aos consumidores.
Entre as medidas adotadas está a proibição de campanhas publicitárias que apresentem as apostas como alternativa de renda ou solução financeira. Além disso, o governo vem analisando mecanismos conhecidos como “design manipulativo”, utilizados para incentivar a permanência dos usuários nas plataformas.
Entre os exemplos citados estão o chamado “quase ganho”, quando o jogador acredita ter ficado muito próximo de vencer, e o “ganho negativo”, situação em que recebe de volta um valor inferior ao apostado, mas o resultado é apresentado visualmente como uma vitória.
Segundo Lucchesi, o governo avalia a criação de classificações de risco para diferentes tipos de jogos e pretende ampliar o monitoramento do endividamento relacionado às apostas.
Dados apresentados pelo Ministério da Fazenda mostram que o Brasil registrou mais de 25 milhões de apostadores em 2025, o equivalente a aproximadamente 18% da população adulta. O perfil predominante é formado por homens entre 18 e 50 anos.
O levantamento também aponta que metade dos apostadores gastou até R$ 50 em algum mês do ano passado, enquanto cerca de 20% chegaram a movimentar valores próximos de R$ 1 mil. As perdas estimadas no período foram de aproximadamente R$ 38 bilhões.
Os números apresentados durante a audiência reforçam a preocupação das autoridades com os impactos das apostas online na saúde mental da população. Ao mesmo tempo em que a regulamentação busca ampliar a proteção aos consumidores, o governo sinaliza que novas medidas poderão ser adotadas para identificar comportamentos de risco, ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer os mecanismos de prevenção ao jogo compulsivo.
🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia.
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