Ministro da Justiça revela que 25,2 milhões de brasileiros ainda apostam em plataformas ilegais
Governo amplia ofensiva contra bets irregulares após identificar milhões de usuários em sites sem autorização e movimentação bilionária sob investigação
Thaynara Godinho em 22 de junho de 2026

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, informou nesta sexta-feira (19) que cerca de 25,2 milhões de brasileiros continuam realizando apostas em plataformas de apostas esportivas que operam sem autorização no país. A declaração foi feita durante o anúncio de novas medidas voltadas ao combate das chamadas bets ilegais, um mercado que segue movimentando bilhões de reais e preocupa as autoridades pela possível ligação com organizações criminosas.
A fala ocorreu um dia após a publicação de um decreto que regulamenta o bloqueio de recursos financeiros de empresas que atuam irregularmente no setor de apostas de quota fixa. A nova regra permite que valores vinculados a operadores clandestinos sejam congelados e, após os procedimentos administrativos e judiciais cabíveis, transferidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
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Durante o anúncio, Wellington César destacou que o universo das plataformas ilegais ainda possui grande participação dentro do mercado brasileiro de apostas online.
Segundo o ministro, as operações irregulares representam um percentual significativo quando comparadas ao setor regulamentado. Ele ressaltou que mais de 40 mil sites já foram retirados do ar pelas autoridades, mas o número de usuários que continuam acessando essas plataformas permanece elevado.
A preocupação do governo vai além da arrecadação e da regulamentação. Para o Ministério da Justiça, o ambiente clandestino pode servir como espaço para atuação de grupos criminosos interessados em movimentar recursos fora dos mecanismos oficiais de fiscalização.
O ministro afirmou que existem fatores que tornam o setor ilegal atrativo para organizações criminosas, especialmente pela facilidade de movimentação financeira e pela dificuldade de rastreamento de operações realizadas fora das regras estabelecidas pelo governo federal.
Diante desse cenário, a estratégia das autoridades é reforçar o monitoramento e ampliar as ações de bloqueio contra empresas que operam sem licença, além de endurecer a fiscalização sobre os mecanismos financeiros utilizados por essas plataformas.
Durante o mesmo evento, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou informações sobre a estrutura utilizada para manter em funcionamento milhares de plataformas clandestinas.
De acordo com os dados divulgados, a análise realizada após a derrubada de mais de 40 mil sites e aplicativos revelou uma forte concentração dos operadores. Segundo o ministro, cerca de 350 pessoas seriam responsáveis pela administração dessas operações, utilizando 37 instituições financeiras, principalmente fintechs e empresas de pagamento, para processar as movimentações.
Os bloqueios foram executados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) após solicitações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão responsável pela supervisão do setor.
O endurecimento das medidas ocorre simultaneamente a investigações conduzidas por órgãos públicos. Na quinta-feira (18), foi deflagrada a Operação Conto da Sorte, que apura um suposto esquema de movimentação financeira bilionária envolvendo plataformas de apostas sem autorização.
A ação resultou no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.
Os trabalhos foram conduzidos pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, com apoio da Receita Federal. Nesta fase da investigação, não foram realizadas prisões.
As determinações judiciais partiram da 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, vinculada ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
As autoridades informaram que as apurações tiveram início a partir de um levantamento técnico realizado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O foco inicial envolveu a Lotseridó, autarquia criada pelo município de Bodó, no interior do Rio Grande do Norte. Segundo a Receita Federal, antes de encerrar suas atividades em outubro de 2025, a entidade teria credenciado empresas de apostas esportivas de maneira considerada irregular.
A suspeita é que essas empresas tenham continuado suas operações mesmo sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável pela regulamentação do segmento em âmbito nacional.
Embora as investigações apontem para cifras bilionárias, o valor exato movimentado pelas empresas sob investigação ainda não foi definido.
Segundo a Receita Federal, a quantificação dependerá da análise dos documentos apreendidos, dos equipamentos recolhidos durante as buscas e das informações obtidas por meio das quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.
Mesmo sem um número fechado, os investigadores avaliam que o volume financeiro envolvido é extremamente elevado, reforçando a preocupação do governo com o avanço das apostas ilegais e seus impactos sobre a economia e a segurança pública.
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