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SUS amplia teleatendimento para até 100 mil apostadores por mês, mas apenas 291 informaram se usam sites legais ou ilegais

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que 37,5% dos usuários que responderam ao questionamento afirmaram apostar em plataformas não autorizadas; programa recebeu R$ 24,19 milhões no primeiro semestre de 2026

Thaynara Godinho em 28 de agosto de 2026

SUS amplia teleatendimento para até 100 mil apostadores por mês, mas apenas 291 informaram se usam sites legais ou ilegais

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou sua capacidade de teleatendimento para pessoas que enfrentam problemas relacionados a apostas esportivas e jogos online para até 100 mil atendimentos mensais. Apesar da estrutura anunciada, os dados disponíveis até agora revelam uma base bastante reduzida de informações sobre o perfil dos usuários atendidos.

 

Informações obtidas por meio da Plataforma Fala.BR mostram que apenas 291 pessoas responderam à pergunta sobre a legalidade das plataformas em que costumam apostar desde que esse tipo de identificação passou a ser realizado no serviço.

 

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Entre os participantes, 109 afirmaram utilizar plataformas não autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), enquanto 99 disseram apostar em sites autorizados. Outros 83 usuários não souberam informar se as plataformas utilizadas eram regulares.

 

O Ministério da Saúde, no entanto, não detalhou a qual período correspondem as 291 respostas registradas.

 

Mais de um terço relatou apostas em plataformas ilegais

 

Dos 291 usuários que responderam ao questionamento sobre as plataformas utilizadas, 37,5% declararam apostar em sites não autorizados no Brasil.

 

Outros 34% afirmaram utilizar plataformas autorizadas pela SPA-MF, enquanto 28,5% não souberam identificar a situação regulatória dos sites em que apostam.

 

Os números não são suficientes para determinar o comportamento do conjunto de apostadores brasileiros ou mesmo de todos os usuários do serviço de teleatendimento. A amostra é limitada e não teve sua periodicidade informada pela pasta.

 

Ainda assim, os dados chamam atenção para um dos desafios do mercado brasileiro: pessoas que enfrentam consequências relacionadas às apostas em plataformas ilegais também recorrem à rede pública de saúde para buscar atendimento.

 

Nesse cenário, o custo do tratamento é absorvido pelo Estado independentemente de a atividade que originou o problema estar vinculada ao mercado regulado ou a operadores que atuam fora das regras brasileiras.

 

Ministério da Saúde detalha como os dados foram coletados

 

Segundo a resposta encaminhada ao pedido realizado por meio da Lei de Acesso à Informação, a pergunta sobre a regularidade das plataformas foi incluída para ajudar a identificar o perfil das pessoas que procuram atendimento.

 

A questão apresentada aos usuários é se as plataformas em que realizam apostas possuem autorização do Ministério da Fazenda.

 

A partir das respostas registradas, foram identificados três grupos: apostadores que utilizam plataformas não autorizadas, usuários de operadores autorizados pela SPA-MF e pessoas que não conseguiram informar a situação dos sites utilizados.

 

A ausência de informações sobre o período de coleta, porém, impede uma comparação direta entre o número de respostas e a atual capacidade mensal do programa.

 

SUS recebeu R$ 24,19 milhões para programa voltado a problemas com apostas

 

Outra informação obtida por meio da LAI aponta que R$ 24,19 milhões foram destinados, no primeiro semestre de 2026, ao programa Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

 

O serviço oferece atendimento remoto e sigiloso para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas aos jogos e apostas. Familiares também podem buscar orientação.

 

Além do acompanhamento profissional, o teleatendimento funciona como uma das portas de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), permitindo o encaminhamento dos usuários para outros serviços quando necessário.

 

A iniciativa está disponível desde março por meio do aplicativo Meu SUS Digital e é realizada em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

 

Serviço começou com 600 atendimentos e capacidade chegou a 100 mil por mês

 

Inicialmente, o programa disponibilizava cerca de 600 teleatendimentos mensais para pessoas com necessidades relacionadas a apostas e jogos.

 

Posteriormente, a capacidade foi ampliada para até 100 mil atendimentos por mês por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.

 

O contrato relacionado à ampliação do serviço tem valor de R$ 2.942.538,05.

 

A diferença entre a estrutura atualmente disponível e o número de pessoas que responderam à pergunta sobre a legalidade das plataformas utilizadas evidencia uma limitação na quantidade de dados públicos disponíveis sobre o perfil dos usuários atendidos.

 

Embora a capacidade anunciada seja de até 100 mil atendimentos mensais, o levantamento divulgado até agora reúne somente 291 respostas sobre a origem das apostas, sem indicação do período exato em que elas foram registradas.

 

Autoexclusão já ultrapassa 1,2 milhão de pedidos

 

A apuração também buscou informações sobre a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta criada para permitir que apostadores solicitem o bloqueio de acesso às plataformas autorizadas.

 

Nesse caso, o Ministério da Saúde orientou que os questionamentos fossem encaminhados diretamente à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

 

Segundo a SPA-MF, mais de 1,2 milhão de solicitações de autobloqueio haviam sido registradas até o momento da resposta.

 

A ferramenta foi disponibilizada em dezembro de 2025 e permite que o usuário solicite, de forma centralizada, a exclusão de seu acesso às plataformas de apostas autorizadas.

 

O sistema faz parte das medidas voltadas ao jogo responsável e à proteção dos apostadores dentro do mercado regulado brasileiro.

 

Perda de controle sobre o jogo é principal motivo para autoexclusão

 

De acordo com os dados da Secretaria de Prêmios e Apostas, o motivo mais frequente para solicitar o autobloqueio está relacionado à perda de controle sobre as apostas e aos impactos na saúde mental.

 

Essa razão foi indicada em 36,09% dos pedidos registrados. O segundo motivo mais citado foi a preocupação de usuários com a utilização de seus dados por plataformas de apostas, presente em 20,97% das solicitações.

 

Nesse caso, a justificativa não está necessariamente associada a problemas de dependência ou perda de controle, mas também pode estar relacionada à preocupação com privacidade e exposição a ações de publicidade.

 

Quanto ao período escolhido para a autoexclusão, 66,95% dos usuários optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado. Outros 21,36% solicitaram a restrição pelo período de um ano.

 

Mercado ilegal também gera custos para o sistema público

 

Os dados disponíveis não permitem concluir que apostadores de plataformas ilegais sejam maioria entre todas as pessoas que procuram atendimento no SUS.

 

A amostra de 291 respostas é limitada, e a falta de uma periodicidade definida impede análises mais amplas sobre o comportamento dos usuários do serviço.

 

Ainda assim, o levantamento reforça um ponto importante no debate sobre a regulação do setor: os impactos das apostas sobre a saúde mental podem gerar custos públicos independentemente de a plataforma utilizada estar ou não dentro do mercado autorizado.

 

Enquanto operadores regulares estão submetidos às regras estabelecidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, incluindo exigências relacionadas à operação e à fiscalização, as plataformas ilegais atuam fora desse sistema.

 

Isso significa que o poder público pode acabar arcando com o atendimento de pessoas afetadas por atividades realizadas em um mercado sobre o qual não possui os mesmos instrumentos de controle, arrecadação e fiscalização.

 

Com a ampliação da capacidade para até 100 mil teleatendimentos mensais, o acompanhamento dos dados sobre a procura pelo serviço e o perfil dos usuários deve ganhar importância nos próximos meses.

 

Mais do que comparar a quantidade de apostadores que utilizam sites autorizados ou ilegais, os números poderão ajudar a dimensionar a demanda real por atendimento especializado e os impactos das apostas sobre a rede pública de saúde no Brasil.

 

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