TCU determina criação de estrutura permanente para combater apostas ilegais no Brasil
Decisão unânime do Tribunal de Contas da União amplia pressão sobre casas de apostas irregulares e reforça medidas de combate à lavagem de dinheiro no setor de bets online
Thaynara Godinho em 29 de maio de 2026

Foto: TCU
O Tribunal de Contas da União aprovou o Acórdão nº 1296/2026, que determina uma série de medidas para fortalecer o combate às plataformas de apostas ilegais e prevenir crimes de lavagem de dinheiro no mercado de bets online. A decisão foi aprovada por unanimidade durante sessão plenária realizada no dia 19 de maio e publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (29).
A auditoria foi conduzida pela Unidade de Auditoria Especializada em Defesa Nacional e Segurança Pública do TCU, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira. O processo analisou a atuação de órgãos federais no enfrentamento às operações ilegais de apostas virtuais e avaliou falhas nos mecanismos atuais de fiscalização e coordenação institucional.
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Entre as principais determinações do acórdão está a criação de um mecanismo permanente de coordenação interinstitucional para combater operadores irregulares de apostas online.
A estrutura será liderada pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e contará com participação da Agência Nacional de Telecomunicações, Banco Central do Brasil, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Receita Federal e órgãos de investigação criminal.
Segundo o tribunal, a medida busca criar uma atuação mais rápida e integrada para identificar, bloquear e sancionar plataformas que operam fora da regulamentação brasileira.
O modelo também prevê protocolos padronizados de compartilhamento de informações, definição clara de competências entre os órgãos envolvidos e criação de indicadores para medir a efetividade das ações adotadas.
Outro ponto importante do acórdão determina o fortalecimento dos sistemas tecnológicos utilizados na identificação de sites ilegais.
A Secretaria de Prêmios e Apostas e a Anatel deverão ampliar o uso de soluções automatizadas para localizar domínios suspeitos e acelerar o bloqueio de plataformas irregulares. A integração de bases de dados também passa a ser prioridade para reduzir o tempo entre a detecção da atividade ilegal e a aplicação das medidas restritivas.
Entre as medidas previstas estão:
O tribunal também determinou a criação de prazos de referência para impedir que operadores ilegais consigam reorganizar suas estruturas antes da aplicação das sanções.
O acórdão amplia ainda o foco sobre bancos e instituições de pagamento que mantenham relações com plataformas ilegais de apostas.
O TCU recomendou que o Ministério da Fazenda e o Banco Central reforcem o regime sancionador aplicável às empresas que, de forma recorrente ou relevante, facilitem operações financeiras de casas de apostas não autorizadas.
As medidas incluem:
A intenção é reduzir os incentivos econômicos que ainda permitem a sobrevivência de parte do mercado ilegal de apostas no país.
A decisão do TCU também fortalece a atuação da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).
O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça deverá desenvolver um sistema informatizado para acompanhar ações coordenadas de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
A plataforma deverá reunir:
Segundo o tribunal, o objetivo é alinhar o Brasil às recomendações internacionais do GAFI e às práticas adotadas por países que possuem sistemas mais avançados de prevenção à lavagem de dinheiro.
O tribunal também determinou que a ENCCLA implemente metodologias para medir os impactos reais das ações adotadas no combate à lavagem de dinheiro.
As avaliações deverão considerar critérios como:
O foco será especialmente voltado para setores considerados de alto risco, como o mercado de apostas de quota fixa, que vem crescendo rapidamente após o avanço da regulamentação das bets no Brasil.
Além disso, o TCU quer maior transparência pública, com divulgação periódica de relatórios sobre os resultados das políticas coordenadas.
O tribunal recomendou ainda que o Ministério da Justiça avalie a elaboração de um decreto presidencial ou até mesmo um projeto de lei para institucionalizar formalmente a ENCCLA.
A ideia é criar uma base normativa permanente que estabeleça:
Segundo o TCU, a formalização pode aumentar a estabilidade das ações coordenadas e reduzir impactos causados por mudanças de gestão nos órgãos participantes.
O TCU autorizou a criação de um modelo de monitoramento estruturado para acompanhar o cumprimento das recomendações previstas no acórdão.
A fiscalização será realizada em conjunto com os órgãos envolvidos e deverá contar com metas, prazos e etapas progressivas de implementação.
Após o cumprimento das determinações, o processo será arquivado pelo tribunal.
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