Vice-presidente da CBF defende bets regulamentadas e critica associação do setor à manipulação de resultados
Michelle Ramalho afirma que empresas legalizadas também são prejudicadas por esquemas ilegais e pede medidas mais duras contra operadores clandestinos
Thaynara Godinho em 2 de junho de 2026

A vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Michelle Ramalho, saiu em defesa das casas de apostas regulamentadas durante participação no 14º Fórum de Lisboa, realizado nesta terça-feira (02). A dirigente afirmou que existe um equívoco ao responsabilizar empresas legalizadas pelos problemas enfrentados pelo setor e destacou que essas companhias também sofrem impactos causados pela atuação de operadores ilegais.
Segundo Michelle, o debate sobre apostas esportivas precisa diferenciar empresas autorizadas daquelas que atuam fora das regras estabelecidas pelo governo brasileiro. Para ela, atribuir às plataformas regulamentadas a responsabilidade por manipulações de resultados ou outras irregularidades é um erro que prejudica quem segue a legislação.
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Durante o painel que discutiu jogos eletrônicos e apostas online, Michelle Ramalho afirmou que o mercado de apostas já faz parte da realidade do futebol e que não é possível ignorar sua presença no esporte.
A dirigente destacou que as casas de apostas legalizadas não têm interesse em fraudes esportivas e argumentou que a integridade das competições é fundamental para a sustentabilidade do próprio setor. Segundo ela, associar automaticamente as bets regulamentadas a esquemas de manipulação cria uma imagem distorcida sobre o funcionamento do mercado.
Outro ponto abordado pela vice-presidente da CBF foi a necessidade de ampliar o combate às empresas que operam sem autorização no país. Michelle afirmou que a concorrência com operadores clandestinos prejudica as empresas que investem em conformidade regulatória e seguem todas as exigências impostas pelas autoridades brasileiras.
Ela defendeu que o Congresso Nacional avance em medidas mais rigorosas para identificar e punir plataformas ilegais, garantindo maior proteção ao mercado regulado e aos consumidores.
O debate também contou com a participação de Alexandre Fonseca, CEO da Superbet, e de Guilherme Figueiredo, representante da Betano.
Fonseca afirmou que não existem evidências que sustentem a ideia de que o mercado regulamentado seja responsável pelo aumento do endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, as plataformas autorizadas operam sob regras rígidas e possuem mecanismos de controle que não estão presentes no mercado ilegal.
O executivo também ressaltou que as apostas esportivas não surgiram recentemente, mas passaram por um processo de regulamentação que trouxe mais transparência e segurança para a atividade.
Já Guilherme Figueiredo destacou iniciativas adotadas pelo governo para impedir que pessoas em situação de vulnerabilidade utilizem plataformas de apostas. Entre os exemplos citados estão mecanismos de controle aplicados em programas sociais e medidas voltadas à proteção dos consumidores.
O representante da Betano avaliou que as normas brasileiras relacionadas ao jogo responsável estão entre as mais avançadas da América Latina e defendeu maior participação de lideranças políticas e formadores de opinião na defesa do mercado legalizado.
Para ele, a principal disputa do setor atualmente é entre o ambiente regulado e o mercado clandestino. Segundo Figueiredo, fortalecer empresas autorizadas significa reduzir espaço para operadores que atuam sem fiscalização.
O debate ocorreu durante o 14º Fórum de Lisboa, evento realizado entre os dias 1º e 3 de junho na Universidade de Lisboa. Neste ano, o encontro tem como tema os impactos da nova ordem internacional, da tecnologia e da soberania sobre os desafios democráticos, econômicos e sociais.
A edição de 2026 bateu recorde de participantes, reunindo cerca de 450 palestrantes e autoridades de diferentes países. Entre os convidados estão Gabriel Galípolo, Magda Chambriard e Aloizio Mercadante.
O evento conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, reconhecimento institucional concedido a iniciativas consideradas de relevante interesse público, acadêmico, econômico e social para Portugal.
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