Emissoras de TV pressionam governo contra possíveis mudanças nas regras das bets
Redes de televisão temem impactos financeiros com eventual proibição das apostas e articulam reação em Brasília; clubes e federações também se mobilizam contra possíveis restrições ao mercado regulado
Thaynara Godinho em 18 de setembro de 2026

A possibilidade de novas restrições ao mercado de apostas esportivas e aos jogos on-line no Brasil provocou uma reação de diferentes setores que mantêm relações comerciais com as bets. Entre eles estão as principais emissoras de televisão do país, que avaliam os possíveis efeitos de uma eventual proibição sobre receitas publicitárias e negócios envolvendo marcas do segmento.
O debate ganhou força após informações de que o governo federal avalia mudanças na regulamentação das apostas on-line. Segundo o iGaming Brazil, diretores de grandes redes passaram a acompanhar de perto as discussões e articulam medidas para tentar evitar uma alteração considerada prejudicial aos seus negócios.
Leia também
Ministério do Esporte cria comissão para monitorar parcerias da Secretaria de Apostas Esportivas
Ministro da Fazenda diz que não há decisão sobre proibição das bets no Brasil
As empresas de televisão já convivem com uma redução dos investimentos publicitários das casas de apostas em relação ao período de maior expansão do setor, especialmente durante a Copa do Mundo. Uma proibição ou forte restrição poderia ampliar essa perda de receita comercial.
O impacto, porém, não estaria limitado à publicidade. Segundo as informações divulgadas, algumas redes também possuem relações societárias e comerciais com empresas ligadas ao mercado de apostas, o que amplia a preocupação diante de uma eventual mudança abrupta nas regras.
Entre os exemplos citados estão Globo, SBT e Band, que mantêm negócios relacionados a marcas do setor, como BetMGM, Bet do Milhão e BandBet.
Nesse cenário, uma mudança regulatória poderia atingir simultaneamente contratos publicitários, investimentos, parcerias comerciais e outras fontes de receita vinculadas ao segmento.
Setor de mídia articula reação em Brasília
Diante da possibilidade de novas medidas, representantes das emissoras passaram a atuar nos bastidores de Brasília para acompanhar a discussão e apresentar argumentos contrários a uma eventual proibição.
A articulação ocorre em um momento no qual o governo federal avalia medidas para restringir a atuação das plataformas de apostas. Informações divulgadas pelo ge apontam que uma Medida Provisória estaria em preparação e que uma das alternativas analisadas seria limitar ou proibir determinados jogos de cassino on-line, enquanto outra possibilidade discutida internamente envolve medidas mais amplas.
O tema ainda está em discussão e não havia, até a publicação desta matéria, uma definição oficial sobre o formato final de uma eventual medida.
Entre os argumentos apresentados por representantes do setor está a avaliação de que uma proibição poderia estimular o mercado clandestino, reduzindo a capacidade do Estado de fiscalizar as operações e arrecadar tributos.
Clubes e federações também se posicionam
A reação não ficou restrita às emissoras. Na quinta-feira (17), clubes e federações de futebol divulgaram um manifesto denominado “O Fim do Futebol Brasileiro”, em resposta à possibilidade de mudanças nas regras das apostas.
O documento foi publicado por entidades e clubes como Federação Paulista de Futebol, Palmeiras, Santos e São Paulo, além de Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.
No manifesto, as instituições reconhecem que a expansão das apostas trouxe desafios sociais e defendem o fortalecimento de mecanismos de proteção, fiscalização, educação e prevenção. Ao mesmo tempo, sustentam que a manutenção do mercado regulamentado é importante para o financiamento do futebol.
Segundo o posicionamento, os investimentos das empresas autorizadas se tornaram uma das principais fontes de receita de diversos clubes. As entidades afirmam ainda que os recursos chegam a equipes menores, divisões de acesso, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais.
Clubes estimam impacto bilionário nos patrocínios
O futebol é um dos setores mais diretamente expostos a uma eventual mudança nas regras. Segundo levantamento citado pelo ge, as casas de apostas movimentam mais de R$ 1 bilhão por ano apenas em patrocínios destinados a clubes da Série A.
Atualmente, 13 das 20 equipes da primeira divisão possuem contratos de patrocínio máster com empresas de apostas, de acordo com informações divulgadas pelo UOL. Os clubes também apontam que a redução dos investimentos poderia atingir indiretamente outras receitas relacionadas ao esporte, incluindo publicidade e direitos de transmissão.
A preocupação apresentada pelas entidades é que uma alteração repentina provoque dificuldades para contratos já firmados e planejamentos financeiros de médio e longo prazo.
Manifesto alerta para migração ao mercado ilegal
Outro ponto central defendido pelos clubes é o risco de crescimento das plataformas clandestinas caso o mercado regulado seja inviabilizado.
No documento, as entidades argumentam que os consumidores poderiam migrar para sites ilegais, que não estariam submetidos às mesmas exigências de fiscalização, tributação e mecanismos de proteção previstos para operadores autorizados.
O argumento também aparece entre representantes do mercado regulado, que defendem o aperfeiçoamento da fiscalização e das políticas de proteção ao consumidor em vez da retirada completa das empresas autorizadas.
Por outro lado, o governo federal tem discutido o tema a partir dos impactos das apostas sobre o orçamento das famílias e sobre pessoas consideradas mais vulneráveis. Segundo o ge, essa é uma das justificativas apresentadas dentro do governo para avaliar alterações no modelo atual.
Debate envolve interesses econômicos e proteção aos consumidores
A discussão sobre o futuro das bets no Brasil passou, portanto, a envolver diferentes setores da economia. Além das próprias operadoras, emissoras de televisão, clubes de futebol, federações, anunciantes e empresas que mantêm negócios relacionados ao segmento acompanham as decisões do governo.
Enquanto os setores econômicos afetados destacam os efeitos financeiros de uma eventual proibição e defendem a continuidade do mercado regulamentado, o governo analisa medidas relacionadas aos impactos sociais e financeiros das apostas.
Até o momento, o formato definitivo de uma eventual mudança nas regras ainda depende das decisões do governo federal. O debate deve continuar nos próximos dias, com diferentes setores buscando participar da discussão sobre o futuro do mercado de apostas no país.
🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia. Jogue com responsabilidade. Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento.
NOTÍCIAS SOBRE APOSTAS
VER TUDOVer tudoQUER FICAR INFORMADO(A) SOBRE O MUNDO DAS APOSTAS?
Receba atualizações em primeira mão sobre o mercado das apostas, análises de jogos e muito mais.
Jogue com responsabilidade
Aposta não é investimento
O acesso ao Portal BetInfo é proibido para menores de 18 anos. O jogo pode ser divertido, mas sem controle, torna-se um problema. Aposte com consciência! Não nos responsabilizamos por perdas ou danos. Cada jogador deve cumprir as leis vigentes e nossos termos. O jogo, sem responsabilidade, pode causar prejuízos. Mais informações na página de Jogo Responsável.
Precisa de ajuda? Acesse: www.gamcare.org.uk ou www.netnanny.com
© 2025 Portal BetInfo. Todos os direitos reservados.