Estudo alerta para avanço das apostas ilegais e riscos crescentes à integridade do esporte brasileiro
Levantamento aponta que até metade do mercado já opera fora da regulamentação, movimentando bilhões e ampliando ameaças à credibilidade das competições nacionais
Thaynara Godinho em 24 de fevereiro de 2026

Um estudo recente acendeu um sinal de alerta para o futuro do esporte brasileiro e para a eficácia do modelo atual de regulação das apostas esportivas no país. O levantamento, divulgado pelo portal TMC em parceria com o Instituto Esfera e coordenado pelo professor Luís Fernando Massonetto, da Universidade de São Paulo (USP), indica que o crescimento das apostas ilegais pode comprometer tanto a arrecadação pública quanto a integridade das competições esportivas.
O relatório será apresentado oficialmente em Brasília nesta terça-feira (24) e traz dados que apontam uma expansão significativa do mercado clandestino, levantando questionamentos sobre os efeitos práticos da regulamentação vigente.
🗞️ Leia também
De acordo com o estudo, plataformas não autorizadas já concentram entre 41% e 51% do mercado brasileiro de apostas, movimentando valores que podem chegar a R$ 40 bilhões por ano.
Esse cenário gera impacto direto nas contas públicas. A estimativa é de que o Estado deixe de arrecadar aproximadamente R$ 10 bilhões anuais em tributos, recursos que poderiam ser destinados a áreas como esporte, educação e políticas públicas de prevenção ao jogo problemático.
Além da perda fiscal, o crescimento do setor irregular preocupa especialistas por reduzir a capacidade de fiscalização e controle das operações realizadas no ambiente digital.
O levantamento identifica três fatores principais que explicam o avanço das plataformas ilegais no Brasil. O primeiro deles está relacionado à competitividade financeira. Como não pagam impostos nem seguem exigências regulatórias, operadores clandestinos conseguem oferecer odds mais altas e premiações mais atrativas, o que acaba incentivando a migração de apostadores.
Outro ponto destacado é a diferença nos níveis de segurança. Empresas regulamentadas adotam procedimentos obrigatórios, como verificação de identidade e reconhecimento facial, mecanismos criados para prevenir fraudes e lavagem de dinheiro. Já sites ilegais operam sem essas barreiras, tornando o acesso mais rápido, porém menos seguro.
Por fim, há um problema de informação. Segundo dados do Instituto Locomotiva citados no estudo, 78% dos apostadores brasileiros não conseguem diferenciar plataformas legais das ilegais, já que operadores clandestinos frequentemente replicam identidade visual e estratégias de marketing semelhantes às empresas autorizadas.
Um dos principais alertas do relatório envolve o impacto das apostas ilegais sobre a integridade esportiva. Em ambientes regulamentados, operadores mantêm sistemas de monitoramento capazes de identificar padrões suspeitos e cooperar com federações e autoridades.
No mercado clandestino, esse controle praticamente não existe. Sem rastreabilidade e compartilhamento de dados, aumenta o risco de manipulação de resultados e de atuação de organizações criminosas, colocando atletas, clubes e campeonatos em situação de maior vulnerabilidade.
O estudo relembra episódios recentes que evidenciam esse perigo, como a Operação Penalidade Máxima, conduzida pelo Ministério Público de Goiás em 2023. A investigação revelou esquemas de manipulação envolvendo jogadores das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, aliciados para provocar eventos específicos durante partidas, como cartões, pênaltis e escanteios.
As investigações resultaram em suspensões, banimentos esportivos e processos criminais contra atletas envolvidos, evidenciando como o mercado de apostas pode ser explorado por redes criminosas quando não há controle efetivo.
Outro ponto analisado pelo estudo é o impacto da carga tributária sobre a competitividade do mercado regulado. Especialistas citados no relatório demonstram preocupação com propostas como a CIDE-Bets, contribuição aprovada pelo Senado em 2025 que prevê imposto de 15% sobre depósitos em apostas.
Segundo os pesquisadores, em um ambiente digital globalizado, onde apostadores podem acessar facilmente sites estrangeiros, o aumento de custos para operadores legalizados tende a gerar efeito contrário ao esperado.
Na avaliação apresentada, o excesso de restrições pode estimular a migração para plataformas ilegais em vez de reduzir riscos associados ao jogo.
O relatório destaca ainda experiências internacionais que indicam que regulações excessivamente rígidas costumam ampliar o mercado paralelo, dificultando o controle estatal e reduzindo a proteção ao consumidor.
Como conclusão, o estudo aponta que o Brasil enfrenta um desafio estrutural: equilibrar arrecadação tributária, competitividade econômica e proteção à integridade esportiva.
Os autores defendem que políticas públicas focadas apenas em aumento de impostos ou restrições severas podem enfraquecer o mercado legal e, consequentemente, ampliar a atuação clandestina.
Caso o modelo regulatório não consiga garantir um ambiente competitivo e seguro, o impacto poderá ir além do setor econômico, atingindo diretamente a credibilidade do esporte brasileiro e a confiança do público nas competições nacionais.
🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia.
NOTÍCIAS SOBRE APOSTAS
VER TUDOVer tudoQUER FICAR INFORMADO(A) SOBRE O MUNDO DAS APOSTAS?
Receba atualizações em primeira mão sobre o mercado das apostas, análises de jogos e muito mais.
Jogue com responsabilidade
Aposta não é investimento
O acesso ao Portal BetInfo é proibido para menores de 18 anos. O jogo pode ser divertido, mas sem controle, torna-se um problema. Aposte com consciência! Não nos responsabilizamos por perdas ou danos. Cada jogador deve cumprir as leis vigentes e nossos termos. O jogo, sem responsabilidade, pode causar prejuízos. Mais informações na página de Jogo Responsável.
Precisa de ajuda? Acesse: www.gamcare.org.uk ou www.netnanny.com
© 2025 Portal BetInfo. Todos os direitos reservados.