Governo estima recuperar mais de R$ 1 bilhão de bets clandestinas para reforçar segurança pública
Nova portaria cria procedimento para recuperar bens e valores ligados a plataformas ilegais de apostas; recursos poderão ser destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública após decisão judicial definitiva
Thaynara Godinho em 4 de setembro de 2026

O governo federal estabeleceu novas regras para tentar recuperar recursos e patrimônios associados à atuação de plataformas clandestinas de apostas esportivas e jogos online. A medida foi formalizada por meio da Portaria nº 1.827/2026, publicada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nesta quarta-feira (2).
Segundo estimativa do ministério, o valor dos ativos que poderão ser alcançados pelo procedimento ultrapassa R$ 1 bilhão. Caso os bens e valores sejam definitivamente incorporados ao patrimônio da União, os recursos poderão ser direcionados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).
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A iniciativa busca fazer com que parte do dinheiro movimentado pelo mercado clandestino de apostas seja revertida para ações de interesse público.
Entre as áreas que poderão ser beneficiadas estão infraestrutura, tecnologia e estrutura operacional das forças de segurança, além de iniciativas voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
A estratégia faz parte do esforço do governo para ampliar o combate às plataformas que operam fora das regras estabelecidas para o mercado regulado de apostas.
A portaria estabelece um procedimento que começa com a análise das informações e documentos encaminhados pelo Ministério da Fazenda à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).
Após essa primeira avaliação, o processo passa por uma etapa sob responsabilidade da Advocacia-Geral da União (AGU). O órgão ficará encarregado de analisar os elementos disponíveis e dar suporte jurídico aos pedidos de perdimento dos bens e valores identificados.
O objetivo é reunir evidências suficientes para demonstrar a relação dos ativos com atividades consideradas ilícitas e permitir que o caso avance dentro dos procedimentos judiciais previstos.
Depois da análise das provas, será elaborado um relatório com as informações levantadas durante o procedimento.
Os envolvidos serão então comunicados e terão 15 dias para apresentar defesa. A previsão busca garantir o direito de manifestação das partes antes do avanço das medidas relacionadas aos ativos.
A existência da portaria, portanto, não significa que os valores identificados passarão imediatamente para os cofres públicos.
Um dos pontos centrais da nova regulamentação é que o bloqueio ou a identificação dos ativos não representa, por si só, a transferência definitiva dos recursos para o governo.
Para que os bens sejam efetivamente incorporados ao patrimônio da União, é necessária uma decisão judicial definitiva de perdimento.
Somente depois do encerramento do processo e da confirmação judicial é que os recursos poderão ser destinados às finalidades previstas para o Fundo Nacional de Segurança Pública.
A medida amplia a atuação do governo contra empresas e plataformas que operam no mercado de apostas sem autorização.
Além da fiscalização das atividades e do bloqueio de operações irregulares, a estratégia passa a concentrar esforços também na recuperação patrimonial dos recursos associados ao mercado ilegal.
A expectativa do Ministério da Justiça é que a utilização desses ativos, quando houver decisão judicial favorável ao perdimento, ajude a ampliar a capacidade do Estado de combater organizações criminosas e fortalecer a estrutura de segurança pública.
Caso a estimativa de mais de R$ 1 bilhão se confirme ao longo dos processos judiciais, o montante poderá representar uma fonte adicional de financiamento para projetos de segurança pública.
A intenção do governo é utilizar esses recursos em áreas capazes de aumentar a eficiência das forças de segurança, incluindo investimentos em tecnologia, equipamentos, infraestrutura e capacidade operacional.
A medida também reforça a estratégia de atacar financeiramente atividades ilegais, buscando não apenas interromper operações clandestinas, mas também impedir que os recursos obtidos com essas atividades permaneçam à disposição dos grupos envolvidos.
Com a Portaria nº 1.827/2026, o governo procura organizar o fluxo institucional necessário para que bens e valores relacionados às bets clandestinas possam, após o devido processo legal, ser convertidos em recursos para a segurança pública.
A iniciativa envolve diferentes órgãos federais e depende da conclusão das etapas administrativas e judiciais. Por isso, embora o governo estime que mais de R$ 1 bilhão possa ser alcançado, a destinação efetiva dos valores dependerá das decisões definitivas em cada caso.
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