Governo federal adia reunião com clubes após boicote por proibição das bets
Encontro em Brasília discutiria os impactos da medida que proibiu as apostas online no Brasil, mas foi esvaziado por clubes e federações
Thaynara Godinho em 29 de setembro de 2026

O governo federal adiou a reunião que estava marcada para esta terça-feira (29), em Brasília, com clubes das Séries A, B, C e D e federações estaduais de futebol. O encontro, organizado pelo Ministério do Esporte, ocorreria em meio à reação dos dirigentes à medida provisória que determinou a proibição das apostas esportivas e dos jogos online no Brasil.
A decisão veio depois que uma parcela significativa dos clubes articulou a ausência de representantes no encontro. A movimentação ocorreu poucos dias após a assinatura da medida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira (25).
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Oficialmente, o Ministério do Esporte informou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que o adiamento ocorreu por questões logísticas e pela dificuldade de deslocamento dos participantes. Segundo o ofício enviado à entidade, a proximidade da data e os horários disponíveis de voos poderiam comprometer a participação das equipes e federações.
Nos bastidores, porém, o adiamento ocorreu em um ambiente de forte insatisfação entre dirigentes. Segundo relatos publicados pela imprensa, clubes haviam discutido não enviar representantes para Brasília como forma de demonstrar descontentamento com a decisão do governo de interromper as operações e a publicidade das casas de apostas.
Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Vasco e Santos estão entre os clubes citados como participantes da articulação para não comparecer ao encontro. A reunião tinha como objetivo discutir os efeitos da medida provisória sobre o futebol brasileiro.
O momento também gerou questionamentos entre dirigentes porque o encontro foi convocado poucos dias depois da publicação da medida que alterou de maneira imediata o cenário de patrocínios e receitas relacionadas às empresas de apostas.
A relação entre clubes de futebol e casas de apostas se tornou um dos principais pontos da discussão. Grande parte das equipes do Campeonato Brasileiro possui ou possuía contratos comerciais com empresas do segmento.
Com a proibição das operações e da publicidade, os contratos de patrocínio relacionados às bets passaram a enfrentar novas restrições, criando preocupação entre os clubes sobre a perda de receitas.
O impacto financeiro também está relacionado às negociações que vinham sendo conduzidas entre dirigentes e o governo antes mesmo da publicação da medida provisória.
Uma das alternativas que estavam previstas nas conversas com o governo era a criação de mecanismos de apoio financeiro aos clubes.
De acordo com informações divulgadas pelo ge, uma das propostas em discussão envolve uma linha de crédito que poderia ser utilizada pelas equipes para reorganizar passivos e renegociar dívidas. A estimativa mencionada nas tratativas chegava a R$ 20 bilhões para clubes das Séries A e B.
A possibilidade de financiamento vinha sendo discutida antes da proibição das bets. A proposta teria relação com as regras de governança e de Fair Play Financeiro adotadas no futebol brasileiro.
Com o adiamento, entretanto, os dirigentes terão de aguardar uma nova data para discutir formalmente as alternativas com representantes do governo.
Apesar do boicote à reunião, não há indicação de rompimento institucional entre os clubes e o governo federal.
Equipes continuam negociando alternativas para reduzir os impactos financeiros provocados pela mudança no mercado de apostas. Corinthians, Internacional e Atlético-MG estão entre os clubes citados em negociações relacionadas a possíveis medidas de apoio financeiro.
A própria necessidade de discutir crédito e dívidas mantém os clubes interessados em preservar o canal de diálogo com Brasília, mesmo diante da divergência em torno da proibição das bets.
O Ministério do Esporte informou que uma nova data será comunicada posteriormente à CBF, responsável por repassar as informações aos clubes das quatro divisões nacionais e às federações estaduais.
O ge informou que o encontro deve ocorrer somente após o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Enquanto isso, o futebol brasileiro enfrenta uma mudança significativa no modelo de receitas comerciais construído nos últimos anos com as empresas de apostas. A próxima rodada de negociações entre governo, clubes e entidades esportivas deverá definir quais alternativas financeiras poderão ser discutidas diante do novo cenário.
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