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Flamengo protesta contra proibição das bets e estampa “Proibir não é proteger” em jogo do Brasileirão

Clube utilizou o espaço de patrocínio máster do uniforme na partida contra o Santos para se posicionar contra a MP que proíbe as apostas esportivas no Brasil. Medida também ameaça contratos comerciais e receitas de equipes da Série A

Thaynara Godinho em 9 de outubro de 2026

Flamengo protesta contra proibição das bets e estampa “Proibir não é proteger” em jogo do Brasileirão

O Flamengo levou a discussão sobre o futuro das apostas esportivas no Brasil para dentro de campo. Na quinta-feira (08), durante a partida contra o Santos, válida pelo Campeonato Brasileiro, o clube carioca entrou em campo com a frase “Proibir não é proteger” estampada no espaço destinado ao patrocinador máster de seu uniforme.

 

A manifestação foi direcionada à Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas de quota fixa e os jogos on-line no país. A iniciativa reforça a posição do Flamengo contra a decisão e amplia o debate sobre os possíveis efeitos da medida para o futebol brasileiro.

 

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O presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, está entre as principais vozes contrárias à proibição. O clube também tem alertado para os impactos financeiros que a interrupção dos contratos com empresas de apostas pode provocar em suas receitas.

 

Na rodada que marcou o retorno do Campeonato Brasileiro após a pausa para a Data Fifa, o Flamengo foi o único clube da Série A a exibir uma mensagem de protesto diretamente no uniforme.

 

A mobilização, entretanto, não ficou restrita à camisa rubro-negra. Placas publicitárias instaladas ao redor do campo também apresentaram mensagens relacionadas à discussão sobre a proibição das bets e seus efeitos para o mercado regulamentado.

 

Entre as frases exibidas estavam:

  • “Proibir não é proteger”;
  • “Não se muda a regra no meio do jogo”;
  • “Conheça mais sobre a regulação das apostas”;
  • “Proibir quem segue as regras favorece quem?”;
  • “Quem lucra com as bets ilegais?”.

 

As mensagens questionam os efeitos da proibição sobre as empresas autorizadas a operar no país e levantam a discussão sobre o possível fortalecimento do mercado ilegal diante da restrição às atividades regulamentadas.

 

MP obriga clubes a retirar marcas de casas de apostas

 

A medida provisória provocou mudanças imediatas nas estratégias comerciais dos clubes brasileiros. Com a proibição das apostas e de sua divulgação, as equipes precisam retirar as marcas de casas de apostas de uniformes, redes sociais e centros de treinamento. A restrição também alcança os nomes de estádios associados a empresas do segmento.

 

Na Série A do Campeonato Brasileiro de 2026, 14 dos 20 clubes tinham casas de apostas como patrocinadoras máster, o que exigiu adaptações nos uniformes e nas propriedades comerciais utilizadas pelas equipes.

 

Além da retirada das marcas, a MP prevê a suspensão dos contratos de patrocínio abrangidos pela medida. A mudança representa um desafio financeiro para os clubes que incorporaram os investimentos das empresas de apostas ao planejamento de suas receitas.

 

Diante desse cenário, equipes do futebol brasileiro, incluindo o Flamengo, buscaram participar das discussões judiciais sobre a medida no Supremo Tribunal Federal (STF), na condição de interessadas nas ações relacionadas ao tema.

 

Quanto os clubes da Série A recebem em patrocínios de bets?

 

Os valores divulgados para os contratos de patrocínio máster com casas de apostas mostram a dimensão financeira da relação entre o setor e o futebol brasileiro.

 

Confira os valores anuais informados para os 14 clubes:

 

ClubeCasa de apostasValor anual divulgado
FlamengoBetanoR$ 220 milhões
CorinthiansEsportes da SorteR$ 150 milhões
PalmeirasSportingbetR$ 100 milhões
São PauloSuperbetR$ 90 milhões
Atlético-MGH2BetR$ 60 milhões
FluminenseSuperbetR$ 58 milhões
BotafogoVbetR$ 55 milhões
CruzeiroBetnacionalR$ 50 milhões
VascoSportingbetR$ 50 milhões
GrêmioPitacoR$ 46,7 milhões
SantosNovibetR$ 35 milhões
Vitória7K BetR$ 20 milhões
RemoVaidebetR$ 12 milhões
ChapecoenseZeroUmR$ 10 milhões

 

Os valores são os divulgados para os contratos e não representam, necessariamente, pagamentos efetivamente realizados após a entrada em vigor da MP.

 

O Flamengo aparece no topo da relação, com um contrato informado em R$ 220 milhões anuais com a Betano. Corinthians e Palmeiras vêm na sequência, com valores de R$ 150 milhões e R$ 100 milhões, respectivamente.

 

A suspensão desses acordos pode exigir que os clubes busquem novos parceiros comerciais e reorganizem seus orçamentos, especialmente diante da necessidade de substituir receitas que já faziam parte de suas projeções financeiras.

 

Clubes avaliam os efeitos da proibição sobre o futebol

 

Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino não aparecem na relação de equipes da Série A com patrocínio máster de casas de apostas.

 

Mesmo entre os clubes que mantinham contratos com empresas do segmento, as respostas à MP variam conforme a situação de cada parceria. O Atlético-MG, por exemplo, anunciou o encerramento do contrato de patrocínio máster com a H2Bet.

 

A discussão envolve não apenas a exposição das marcas nos uniformes, mas também o financiamento do futebol, a negociação de novos contratos e a reorganização das receitas comerciais.

 

Com o protesto durante a partida contra o Santos, o Flamengo colocou o tema em evidência em uma das principais vitrines esportivas do país. A frase estampada na camisa resume o posicionamento do clube e mantém em pauta os efeitos da MP sobre as empresas regulamentadas, os contratos de patrocínio e o modelo de financiamento das equipes brasileiras.

 

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