Associação peruana defende unificação das regras de apostas na América Latina
Para a OJADA, a harmonização regulatória pode reduzir custos operacionais, atrair investimentos para o iGaming e facilitar a expansão de empresas entre os países latino-americanos. Entidade também aponta a falta de profissionais qualificados como um dos principais desafios do setor
Thaynara Godinho em 13 de outubro de 2026

A fragmentação das regras de apostas na América Latina é um dos obstáculos ao crescimento sustentável do mercado de iGaming na região. A existência de diferentes exigências legais e operacionais em cada país aumenta os custos de conformidade, dificulta a expansão internacional das empresas e pode reduzir o interesse de novos investidores.
Diante desse cenário, o presidente da Associação Peruana de Operadores de Jogos Remotos e Apostas Esportivas (OJADA), Ricardo Solano Delgado, defendeu a adoção de parâmetros regulatórios comuns entre os países latino-americanos. Para o dirigente, aproximar as legislações nacionais é um passo importante para tornar o ambiente de negócios mais acessível e previsível.
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A proposta busca reduzir a necessidade de estruturas jurídicas independentes e procedimentos específicos para cada mercado, especialmente para fornecedores e empresas de menor porte que pretendem ampliar sua presença no continente.
A ausência de padrões compartilhados faz com que operadores e fornecedores precisem adaptar suas atividades às exigências de cada jurisdição. Na prática, isso pode envolver equipes jurídicas locais, processos de licenciamento distintos e diferentes obrigações de conformidade.
Na avaliação de Solano Delgado, a aproximação das regras poderia diminuir essas barreiras e permitir que mais empresas disputassem espaço nos mercados latino-americanos.
A padronização, no entanto, não significa necessariamente a criação de uma legislação única para toda a região. A proposta envolve aproximar critérios e procedimentos, preservando as particularidades jurídicas de cada país.
Esse movimento poderia beneficiar especialmente empresas que ainda não dispõem de recursos suficientes para manter estruturas regulatórias independentes em vários territórios.
O modelo peruano foi apresentado pelo dirigente como uma referência para o desenvolvimento do mercado regulado. Segundo Solano Delgado, a estrutura adotada no país procura estabelecer regras técnicas e oferecer maior segurança jurídica aos participantes da indústria, em vez de recorrer à proibição das atividades.
O presidente da OJADA afirmou que a regulamentação local foi desenvolvida para acompanhar as características do setor e criar condições para a entrada de diferentes agentes econômicos.
Na avaliação do executivo, o ambiente regulatório peruano abre espaço tanto para operadores quanto para fornecedores interessados em atuar no mercado nacional.
Ao comentar as oportunidades disponíveis, Solano Delgado incentivou empresas internacionais a considerar o país em seus planos de expansão.
A experiência peruana também reforça o debate sobre como a previsibilidade das regras pode contribuir para a formalização das operações, a atração de capital e o desenvolvimento de atividades ligadas ao iGaming.
Apesar dos avanços na regulamentação, a disponibilidade de mão de obra qualificada continua sendo um desafio para as empresas de apostas. Segundo Solano Delgado, a escassez de profissionais com conhecimento específico sobre o setor dificulta a formação de equipes, principalmente nas áreas de conformidade regulatória.
A ausência de cursos universitários e programas acadêmicos direcionados ao iGaming contribui para esse cenário. Como consequência, as empresas precisam buscar alternativas para preencher funções que exigem conhecimentos técnicos e domínio das exigências legais.
Para o dirigente, uma das possibilidades é investir na capacitação de profissionais que já atuam em áreas relacionadas, como direito bancário, telecomunicações e engenharia.
A estratégia permitiria aproveitar competências já existentes no mercado de trabalho e preparar esses especialistas para as particularidades das operações de apostas online.
O desenvolvimento de capital humano, portanto, aparece como uma questão complementar à modernização das regras. Mesmo com um ambiente jurídico mais previsível, as empresas precisam de equipes preparadas para cumprir as exigências regulatórias e sustentar suas operações.
Outro ponto destacado pelo presidente da OJADA é o papel das feiras e dos encontros internacionais na formação de profissionais e no fortalecimento das relações entre os diferentes participantes da indústria.
Esses eventos reúnem operadores, fornecedores, especialistas e representantes de órgãos reguladores, criando oportunidades para compartilhar experiências e acompanhar mudanças legislativas e tecnológicas.
Na avaliação de Solano Delgado, os encontros também contribuem para aproximar o mercado das autoridades responsáveis pela elaboração e fiscalização das regras.
A interação pode facilitar o acesso a informações atualizadas, ampliar o conhecimento sobre as exigências de cada jurisdição e estimular discussões sobre os desafios comuns enfrentados pelos países latino-americanos.
A defesa da OJADA ocorre em meio à evolução dos mercados regulados de apostas na América Latina, onde os países seguem trajetórias próprias na definição de licenças, obrigações fiscais e mecanismos de fiscalização.
Nesse contexto, a aproximação das regras surge como uma alternativa para reduzir obstáculos à expansão internacional sem eliminar a autonomia regulatória de cada nação.
O avanço dessa agenda, porém, depende da disposição dos governos e das autoridades responsáveis para discutir critérios compatíveis e possíveis mecanismos de cooperação regional.
Além da segurança jurídica, o setor também precisa enfrentar questões relacionadas à qualificação profissional e à troca de informações entre empresas e reguladores.
Para a associação peruana, combinar regras mais previsíveis com investimentos em capacitação pode contribuir para um mercado regional mais estruturado e competitivo, criando condições para que empresas de diferentes portes encontrem oportunidades de crescimento na América Latina.
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