Bap alerta para impacto das bets no Flamengo e questiona: “Como vou pagar o Paquetá em janeiro?”
Presidente do Flamengo afirma que fim das casas de apostas pode alterar contratos, receitas e investimentos do clube a partir dos próximos meses
Thaynara Godinho em 29 de setembro de 2026

A decisão do governo federal de interromper a operação das casas de apostas no Brasil já provoca reação entre os grandes clubes do futebol nacional. No Flamengo, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que a mudança interfere diretamente nas projeções financeiras da equipe e pode dificultar o cumprimento de compromissos assumidos para a próxima temporada.
Durante participação na Flamengo TV, nesta segunda-feira (28), o dirigente chamou atenção para a dimensão financeira da medida e utilizou o meia Lucas Paquetá como exemplo das obrigações que o clube terá pela frente.
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“Como vou pagar o Paquetá em janeiro?”, questionou Bap ao comentar o impacto da interrupção do mercado de apostas sobre o planejamento rubro-negro.
A preocupação apresentada pelo dirigente está relacionada principalmente à perda de receitas comerciais. O Flamengo estima um impacto de aproximadamente R$ 400 milhões caso o cenário provocado pela medida seja mantido.
Para Bap, o problema não se limita ao encerramento de novos contratos com empresas de apostas. O presidente argumenta que a mudança também interfere em acordos que já faziam parte do planejamento financeiro do clube.
O dirigente afirmou que o Flamengo assumiu compromissos considerando a legislação vigente e que uma alteração repentina nas regras cria dificuldades para o orçamento das próximas temporadas.
A avaliação apresentada por Bap inclui despesas com o elenco profissional, novas contratações e investimentos em outras modalidades esportivas mantidas pelo clube.
Segundo ele, a instituição terá de procurar novas fontes de financiamento caso a proibição avance.
A discussão ocorre em um momento no qual as empresas de apostas se tornaram relevantes para o mercado esportivo brasileiro.
Além de patrocinar clubes, as plataformas passaram a ocupar espaços em uniformes, transmissões, publicidade e outras propriedades comerciais ligadas ao futebol.
A saída desse segmento do mercado, portanto, pode afetar não apenas os clubes que possuem contratos diretamente com as bets, mas também diferentes empresas que participam da cadeia de negócios esportivos.
No caso do Flamengo, Bap afirma que a redução das receitas terá reflexos sobre a capacidade de investimento do clube.
Diante da possibilidade de perda das receitas provenientes do setor, o presidente afirmou que o Flamengo deverá buscar outras empresas para substituir os contratos afetados.
O problema, segundo Bap, está na diferença entre os valores que poderão ser encontrados no mercado e aqueles atualmente praticados nos acordos relacionados às apostas.
“Vamos buscar alternativas, novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais”, afirmou.
O dirigente também declarou que a situação poderá modificar decisões relacionadas ao elenco. Em vez de ampliar investimentos no futebol, o clube poderá precisar direcionar recursos para questões jurídicas e para a reorganização financeira.
Bap não questionou apenas os efeitos econômicos da decisão. Ele também criticou a maneira como a interrupção do mercado foi implementada.
Na avaliação apresentada pelo presidente do Flamengo, mudanças regulatórias poderiam ser realizadas gradualmente, permitindo que o mercado se adaptasse às novas exigências.
O dirigente defendeu que regras para o setor sejam constantemente avaliadas e ajustadas, mas considerou que a interrupção repentina gera incerteza para empresas e instituições esportivas que possuem contratos em vigor.
Para ele, a principal consequência imediata é a dificuldade de prever quanto o Flamengo terá disponível para cumprir seus compromissos futuros.
Outro ponto levantado por Bap envolve a disputa entre clubes brasileiros e equipes de outros mercados sul-americanos.
O presidente afirmou que a redução da capacidade financeira dos times nacionais poderá diminuir investimentos no futebol brasileiro, enquanto clubes de países vizinhos poderiam se beneficiar da mudança no cenário.
“Vai haver um enfraquecimento ainda maior no futebol brasileiro e um fortalecimento do futebol argentino”, declarou.
A afirmação representa a avaliação do dirigente sobre os possíveis efeitos econômicos da retirada das empresas de apostas do mercado brasileiro.
A mudança foi anunciada pelo governo federal na última sexta-feira e formalizada por meio de uma Medida Provisória.
Entre as determinações está o encerramento da operação das casas de apostas de quota fixa no país. Os apostadores possuem prazo para retirar os recursos mantidos nas plataformas antes da interrupção definitiva dos serviços.
A partir de outubro, os sites e aplicativos das empresas afetadas deverão deixar de operar no território nacional, conforme o cronograma estabelecido pela medida.
A norma também trata da publicidade e dos contratos comerciais vinculados ao setor.
Embora a Medida Provisória tenha efeito imediato, sua validade depende da tramitação no Congresso Nacional.
Deputados e senadores ainda deverão analisar o texto e decidir sobre sua manutenção, alteração ou rejeição. Paralelamente, a medida também é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal.
O cenário mantém o mercado esportivo diante de um período de incerteza, especialmente para clubes que construíram parte de suas receitas recentes a partir de contratos com empresas de apostas.
No Flamengo, a discussão já chegou ao planejamento da próxima temporada. Para Bap, a questão central é como preservar os compromissos financeiros assumidos pelo clube diante de uma fonte de receita que, até então, fazia parte das projeções da instituição.
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