Investimentos em apostas crescem, mas estratégia para retenção pode se tornar o maior desafio do mercado
O que acontece quando conquistar novos usuários fica mais caro e os bônus deixarem de ser um diferencial?
Thaynara Godinho em 25 de maio de 2026

Com a regulamentação das apostas esportivas entrando em vigor em 2025, o mercado brasileiro iniciou uma nova fase. Empresas passaram a operar em um ambiente mais estruturado, com exigências legais, fiscalização e necessidade de adaptação ao novo cenário competitivo.
Desde então, a corrida entre as operadoras se concentrou em investimentos pesados: patrocínios milionários em clubes, campanhas com influenciadores, publicidade em massa e melhorias tecnológicas para experiência do usuário.
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Porém, enquanto os investimentos aumentaram, parte do setor parece ainda seguir uma estratégia muito focada em crescimento rápido e aquisição imediata de usuários.
Durante os primeiros momentos de um mercado em expansão, essa fórmula pode funcionar. Mas existe uma questão que começa a surgir nos bastidores.
No marketing, existe um indicador conhecido como CAC (Custo de Aquisição do Cliente). Em termos simples, é o valor total que uma empresa precisa gastar para conquistar um novo usuário.
Quanto menor esse custo, melhor para a operação. O problema é que mercados maduros normalmente passam por uma transformação previsível:
Hoje muitos operadores ainda utilizam bônus de cadastro, apostas grátis e campanhas agressivas para atrair usuários. Mas especialistas apontam que a eficiência dessas ações tende a cair com o tempo.
Quando praticamente todas as plataformas oferecem benefícios semelhantes, a diferenciação deixa de existir. O bônus passa a ser apenas um detalhe e não mais um fator decisivo.
E quando isso acontecer, adquirir clientes pode se tornar significativamente mais caro.
Nos mercados internacionais mais maduros, algumas empresas perceberam que apenas investir mais dinheiro em publicidade não garante crescimento sustentável.
A construção de marca começou a ganhar espaço. O usuário que chega apenas por uma promoção tende a migrar rapidamente para outra plataforma caso encontre uma oferta melhor.
Já aquele que se conecta com a identidade da marca, experiência e propósito tende a permanecer por mais tempo.
É justamente nesse ponto que o marketing esportivo pode ganhar importância.
Durante anos, marketing esportivo foi associado apenas a colocar uma marca estampada na camisa de um clube.Hoje o conceito pode ser muito mais amplo. No novo cenário das apostas, algumas possibilidades começam a surgir:
Criação de comunidades próprias: Em vez de apenas vender apostas, marcas podem criar ambientes com análises esportivas, estatísticas, conteúdos exclusivos e interação entre torcedores. O objetivo deixa de ser apenas captar usuários e passa a ser gerar pertencimento.
Experiências presenciais: Eventos esportivos, ativações em estádios, encontros com influenciadores e experiências para clientes podem criar conexão emocional. Uma experiência marcante muitas vezes gera mais valor do que dezenas de anúncios pagos.
Conteúdo educativo: Com a regulamentação, o jogo responsável também ganhou protagonismo. Marcas podem investir em conteúdos que explicam gestão de banca, probabilidades, comportamento do apostador e educação financeira. Além de fortalecer a reputação, isso cria relacionamento de longo prazo.
Projetos sociais e posicionamento de marca: No futuro, o consumidor pode observar não apenas a plataforma em que aposta, mas também quais causas a empresa apoia. Projetos ligados ao esporte de base, inclusão social e incentivo ao desenvolvimento regional podem se tornar diferenciais relevantes.
No início de mercados regulados, é comum que a competição aconteça por volume de investimento.
Mas à medida que o setor amadurece, a lógica tende a mudar. Quem investir apenas para aparecer pode enfrentar custos cada vez maiores para manter crescimento.
Já empresas que conseguirem criar identificação, comunidade e propósito podem transformar usuários em clientes recorrentes.
A disputa pelas apostas no Brasil pode continuar sendo bilionária. Mas nos próximos anos, a pergunta talvez deixe de ser “quanto investir?” e passe a ser “como construir valor?”.
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