Polícia Civil e MP de SP miram plataformas de apostas ilegais em operação bilionária de R$ 5,2 bilhões
Operação Falsa Las Vegas investiga exploração clandestina de jogos, lavagem de dinheiro e possível uso de empresas de fachada para ocultação de patrimônio
Thaynara Godinho em 28 de maio de 2026

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (28) a Operação Falsa Las Vegas, que mira um suposto esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões. Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão.
Além das ordens judiciais, o MP também solicitou o bloqueio de bens de dezenas de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de 76 imóveis ligados aos investigados.
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Segundo as autoridades, a investigação apura a atuação de uma rede empresarial suspeita de operar plataformas clandestinas de apostas online utilizando estruturas formais para aparentar legalidade nas operações.
Entre os principais alvos da operação estão a Aposte Fácil e o site Black Vegas. De acordo com as investigações, as duas plataformas teriam papéis distintos dentro do suposto esquema criminoso.
A Aposte Fácil, ligada à empresa APF Tecnologia, operaria utilizando referências regulatórias e credenciamento vinculado à Loteria do Estado do Rio de Janeiro para transmitir aparência de funcionamento legal.
Já a plataforma Black Vegas, hospedada fora do Brasil, seria utilizada para oferecer jogos considerados proibidos pelas autoridades. Os investigadores afirmam que os pagamentos eram realizados via Pix, com intermediação de terceiros para dificultar a identificação dos reais beneficiários dos recursos movimentados.
A Operação Falsa Las Vegas surgiu como um desdobramento da Operação Falso Mercúrio, realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em dezembro de 2025.
Na ocasião, a polícia apreendeu documentos, cadernos manuscritos e conteúdos telemáticos na sede da empresa ASX Participações e Tecnologia. A análise desse material revelou indícios de uma estrutura voltada à exploração clandestina de jogos de azar e à lavagem de capitais.
Segundo os investigadores, o grupo utilizaria empresas de fachada, contas de passagem e laranjas para movimentar e ocultar valores ilícitos.
A operação anterior já havia resultado no bloqueio de aproximadamente R$ 6 bilhões em contas ligadas a pessoas físicas e jurídicas investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com integrantes associados ao PCC.
Em relatório obtido pelas autoridades, a Polícia Civil descreve a ASX Participações e Tecnologia como um possível “núcleo financeiro da organização criminosa”.
A empresa, registrada em Barueri, teria sido utilizada para captação, circulação e ocultação de recursos provenientes das operações ilegais. Já a Aposte Fácil está registrada em Itapevi. As duas empresas possuem um sócio em comum, segundo a investigação.
Ainda conforme a polícia, anotações apreendidas no endereço da ASX indicam movimentações relacionadas a apostas clandestinas, pagamentos a influenciadores digitais e utilização de máquinas de pagamento.
Os investigadores também afirmam que as atividades identificadas não seriam compatíveis com o objeto social formal da empresa.
Entre os materiais apreendidos, a polícia encontrou registros manuscritos que apontariam a aquisição da plataforma Black Vegas por integrantes ligados à Aposte Fácil.
Os documentos indicam que a negociação teria ocorrido pelo valor de R$ 1 milhão, com pagamentos parcelados registrados em anotações encontradas durante as buscas.
As autoridades sustentam ainda que diversas empresas formalmente registradas em nome de terceiros apresentam indícios de terem sido utilizadas para esconder os verdadeiros responsáveis pela estrutura financeira investigada.
As autoridades seguem analisando os materiais apreendidos durante a operação desta quinta-feira. Os próximos desdobramentos dependerão da conclusão das perícias e do cumprimento integral dos mandados judiciais.
Até o momento, as empresas citadas e os investigados ainda não se manifestaram oficialmente sobre as acusações. Segundo informações divulgadas, tentativas de contato seguem sendo realizadas pela imprensa.
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