O mercado brasileiro de apostas esportivas foi um dos principais destaques do balanço da arrecadação federal no primeiro semestre de 2026. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que a nova tributação aplicada às empresas do setor contribuiu de forma expressiva para o aumento das receitas da União, ajudando a impulsionar um acréscimo de R$ 18,1 bilhões nos cofres públicos no período.
Embora o crescimento da arrecadação tenha sido influenciado também por alterações nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), o desempenho das bets chamou atenção pelo ritmo acelerado de expansão.
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A arrecadação proveniente da tributação sobre a receita bruta dos jogos (Gross Gaming Revenue – GGR) passou de R$ 3,8 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 para R$ 7,3 bilhões no mesmo período de 2026, representando um avanço de aproximadamente 90,8%.
Nova tributação fortalece receitas do setor de apostas
O crescimento reflete os efeitos imediatos das mudanças promovidas pela legislação federal sobre o mercado regulado de apostas.
A nova cobrança sobre o GGR ampliou significativamente a participação das operadoras na arrecadação nacional, consolidando o segmento como uma das principais fontes de incremento das receitas tributárias em 2026.
Além dos resultados já registrados, o governo federal projeta ampliar gradualmente essa arrecadação nos próximos anos. A expectativa é que a alíquota incidente sobre o GGR alcance 18% a partir de 2028, elevando ainda mais a contribuição do setor para as contas públicas.
Mesmo com o forte crescimento das bets, outros tributos também apresentaram desempenho positivo, embora em ritmo mais moderado.
JCP registra alta, mas Receita faz ressalvas
A arrecadação proveniente dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) somou R$ 13,9 bilhões no semestre, resultado de um crescimento real de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O aumento ocorre após a elevação da alíquota do imposto, que passou de 15% para 17,5%.
Apesar disso, a Receita Federal destacou que esse tipo de arrecadação possui elevada volatilidade, já que depende diretamente das decisões das empresas sobre distribuição de lucros aos acionistas.
Por essa razão, o órgão avalia que não é possível atribuir integralmente o crescimento apenas à alteração na legislação tributária.
IOF também amplia arrecadação federal
Outro destaque do balanço foi o desempenho do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja arrecadação atingiu R$ 50,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, representando um crescimento real de 30,4%.
Mesmo diante da expansão, a Receita Federal adotou cautela ao analisar os números.
Segundo o órgão, o aumento da arrecadação não pode ser explicado exclusivamente pelas mudanças nas alíquotas, já que fatores econômicos e financeiros também influenciam o comportamento das receitas.
Ainda assim, a Receita reconheceu que uma parcela relevante desse crescimento está relacionada ao aumento das alíquotas promovido pelo governo.
Tributação sobre patrimônio no exterior também impulsiona receitas
O balanço semestral também reflete os efeitos da tributação sobre fundos exclusivos e ativos mantidos no exterior, estabelecida pela Lei nº 14.754/2023.
Segundo a Receita Federal, houve crescimento expressivo na arrecadação das quotas da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda, impulsionado principalmente pela atualização de bens e direitos localizados fora do país.
De acordo com o órgão, esse resultado decorre do aumento real de 58,73% na arrecadação dessas quotas, refletindo a nova sistemática de tributação aplicada aos patrimônios mantidos no exterior.
Mercado regulado amplia participação nas contas públicas
Os números do primeiro semestre mostram que o mercado regulado de apostas passou a ocupar um papel cada vez mais relevante na composição da arrecadação federal.
Com a implementação das novas regras tributárias e a perspectiva de aumento gradual das alíquotas nos próximos anos, a tendência é que o setor continue ampliando sua contribuição para as receitas da União, consolidando-se como uma importante fonte de arrecadação dentro do novo modelo regulatório brasileiro.