logo betinfo
InícioNotíciasApostadoresEnsinaBetAnálisesCalculadoras

Psiquiatras definem critérios para diferenciar apostador recreativo de dependente e debate chega ao TST

Especialistas apontam perda de controle, impactos financeiros e isolamento social como principais sinais da ludopatia. Discussão sobre o reconhecimento da condição clínica também avança na Justiça do Trabalho

Thaynara Godinho em 30 de julho de 2026

Psiquiatras definem critérios para diferenciar apostador recreativo de dependente e debate chega ao TST

O crescimento das apostas online no Brasil tem ampliado o debate sobre os limites entre o entretenimento e a dependência. Para especialistas em saúde mental, identificar quando o hábito deixa de ser recreativo e passa a representar um transtorno exige critérios clínicos bem definidos, que vão além da frequência com que uma pessoa aposta.

 

Segundo psiquiatras que atuam no tratamento da ludopatia, três fatores são fundamentais para diferenciar o apostador recreativo do dependente: a perda de controle sobre o comportamento, prejuízos financeiros concretos e a redução progressiva das relações sociais em função das apostas.

 

Leia também

 

A discussão ganha ainda mais relevância diante do aumento de casos atendidos no sistema de saúde e do avanço do tema no âmbito jurídico, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que analisa como enquadrar trabalhadores diagnosticados com transtorno do jogo.

 

Existe um perfil intermediário entre o jogador ocasional e o dependente

 

Além dos perfis mais conhecidos, especialistas identificam um grupo intermediário formado por pessoas que acreditam ter desenvolvido estratégias capazes de garantir lucro constante com apostas esportivas e jogos online.

 

Esse perfil foi definido pelo psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, responsável pelo Ambulatório de Tratamento de Dependências de Comportamentos do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), como o "investidor iludido".

 

Segundo o médico, embora essas pessoas possam apresentar prejuízos e até preencher critérios para o diagnóstico do transtorno do jogo, nem sempre são consideradas dependentes. Ainda assim, o comportamento pode gerar consequências financeiras e pessoais importantes.

 

TST discute proteção trabalhista para pessoas com ludopatia

 

O tema também passou a integrar o debate jurídico. No Tribunal Superior do Trabalho, ministros analisam se trabalhadores diagnosticados com ludopatia devem receber tratamento semelhante ao aplicado a pessoas com alcoolismo em casos de demissão.

 

Desde 2012, o TST possui entendimento consolidado de que a dispensa de empregados portadores de doenças estigmatizantes pode ser considerada discriminatória, permitindo inclusive a reintegração ao emprego.

 

Agora, parte dos ministros avalia se essa proteção também deve alcançar pessoas diagnosticadas com transtorno do jogo.

 

Durante as discussões, o ministro Alexandre Agra Belmonte destacou que a principal dificuldade está em separar comportamentos inadequados de uma condição médica comprovada, ressaltando a necessidade de avaliações técnicas para cada caso.

 

DSM-5 apresenta nove critérios para o diagnóstico do transtorno do jogo

 

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), referência internacional em psiquiatria, classifica o transtorno do jogo como um comportamento persistente e recorrente capaz de causar sofrimento significativo e prejuízos à vida do indivíduo.

 

O diagnóstico é confirmado quando pelo menos quatro dos nove critérios abaixo estão presentes:

  • necessidade de apostar valores cada vez maiores para obter a mesma sensação de prazer;
  • irritação ou inquietação ao tentar reduzir ou interromper as apostas;
  • tentativas repetidas e malsucedidas de controlar o comportamento;
  • preocupação constante com jogos e formas de conseguir dinheiro para apostar;
  • utilização das apostas como forma de aliviar sofrimento emocional;
  • retorno frequente ao jogo para tentar recuperar perdas financeiras;
  • mentiras para esconder o envolvimento com apostas;
  • prejuízos em relacionamentos, carreira ou oportunidades profissionais;
  • dependência de terceiros para quitar dívidas provocadas pelo jogo.

 

Especialistas destacam que os casos mais complexos costumam surgir justamente nas situações intermediárias, quando ainda não há sinais evidentes de dependência severa. Nesses cenários, avaliações psiquiátricas detalhadas são consideradas essenciais para distinguir uma conduta inadequada de um transtorno clínico.

 

Semelhanças entre ludopatia e alcoolismo têm base científica

 

Pesquisas apontam que o transtorno do jogo compartilha mecanismos biológicos semelhantes aos observados na dependência de álcool e outras substâncias.

 

De acordo com especialistas, embora não exista o consumo de uma droga, o cérebro desenvolve padrões de recompensa e compulsão semelhantes aos encontrados em dependências químicas.

 

A psiquiatra Lívia Beraldo, do Hospital Sírio-Libanês, afirma que aproximadamente 75% dos jogadores patológicos apresentam ao menos outro transtorno psiquiátrico associado. Entre os diagnósticos mais frequentes estão o alcoolismo e o tabagismo.

 

Segundo a especialista, muitas pessoas recorrem ao álcool após sessões de apostas para aliviar a ansiedade provocada pelas perdas ou facilitar o sono.

 

Estudos clínicos indicam ainda que cerca da metade dos pacientes com transtorno do jogo também apresenta histórico de abuso de substâncias. Entre aqueles que procuram tratamento para a ludopatia, até 63% tiveram algum transtorno relacionado ao uso de álcool ou drogas ao longo da vida.

 

Medicamentos usados no alcoolismo também apresentam resultados promissores

 

A proximidade entre os dois transtornos também se reflete no tratamento. Pesquisas têm mostrado resultados positivos com a naltrexona, medicamento já utilizado no combate à dependência alcoólica, que demonstrou reduzir o desejo intenso de apostar em pacientes diagnosticados com transtorno do jogo.

 

A eficácia do medicamento reforça o entendimento de que a ludopatia faz parte do grupo dos transtornos por dependência.

 

Essa percepção motivou uma mudança importante em 2013, quando o DSM-5 retirou o transtorno do jogo da categoria de transtornos do controle dos impulsos e passou a classificá-lo ao lado das dependências relacionadas ao uso de substâncias.

 

Número de atendimentos relacionados às apostas cresce no Brasil

 

Os impactos da expansão das apostas também aparecem nos indicadores de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados às apostas em 2025, praticamente o dobro dos 3.490 atendimentos contabilizados no ano anterior.

 

Já a pesquisa TIC Domicílios 2025, realizada pelo Cetic.br, estima que cerca de 30 milhões de brasileiros com mais de 10 anos já realizaram apostas pela internet, o equivalente a aproximadamente um em cada cinco usuários da rede no país.

 

O levantamento também revela diferença entre os gêneros: 25% dos homens afirmaram já ter apostado online, enquanto entre as mulheres o percentual foi de 14%.

 

O avanço desses números reforça a importância do diagnóstico precoce e da diferenciação entre o apostador recreativo, aquele que mantém o controle sobre a atividade, e o indivíduo que desenvolve um transtorno capaz de comprometer sua saúde mental, sua vida financeira e suas relações pessoais.

 

🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia. Jogue com responsabilidade. Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento.

NOTÍCIAS SOBRE APOSTAS

VER TUDOVer tudo
Governo amplia prazo do Desenrola e mantém bloqueio de apostas para beneficiários

Governo amplia prazo do Desenrola e mantém bloqueio de apostas para beneficiários

Participantes do programa continuam impedidos de realizar apostas em plataformas regulamentadas enquanto durar a restrição.

Veja mais

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Instagram

Twitter

LinkedIn

TikTok

WhatsApp

Youtube

Threads

Telegram

QUER FICAR INFORMADO(A) SOBRE O MUNDO DAS APOSTAS?

Receba atualizações em primeira mão sobre o mercado das apostas, análises de jogos e muito mais.

PARCEIROS OFICIAIS

logo betexpologo bis
selo 18 anos

O acesso ao Portal BetInfo é proibido para menores de 18 anos. O jogo pode ser divertido, mas sem controle, torna-se um problema. Aposte com consciência! Não nos responsabilizamos por perdas ou danos. Cada jogador deve cumprir as leis vigentes e nossos termos. O jogo, sem responsabilidade, pode causar prejuízos. Mais informações na página de Jogo Responsável.

Precisa de ajuda? Acesse: www.gamcare.org.uk ou www.netnanny.com

Últimas notíciasPolíticas e diretrizes

© 2025 Portal BetInfo. Todos os direitos reservados.