Bets têm até esta quarta (20) para rastrear e bloquear beneficiários do Desenrola nas plataformas regulamentadas
Prazo encerra nesta quarta-feira e obriga operadoras a concluírem a identificação e suspensão de usuários ligados ao programa federal de renegociação de dívidas
Thaynara Godinho em 20 de maio de 2026

As casas de apostas regulamentadas no Brasil têm até esta quarta-feira (20) para finalizar uma revisão completa em suas bases de dados e identificar usuários vinculados ao programa Novo Desenrola Brasil. A medida faz parte das novas regras estabelecidas para o setor e determina o bloqueio automático de beneficiários nas plataformas autorizadas.
Na prática, pessoas que aderirem ao programa ficarão impedidas de realizar apostas em sites regularizados durante um período de 12 meses após a renegociação das dívidas. A restrição se aplica tanto para novos cadastros quanto para contas criadas anteriormente nas plataformas.
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A primeira etapa operacional começou a valer no último dia 15 de maio, quando as empresas passaram a barrar novos registros e novas apostas feitas por participantes do programa. Agora, a fase seguinte exige a chamada “varredura retroativa”, processo que busca localizar contas já existentes para realizar o bloqueio automático.
Segundo Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do escritório Betlaw e consultor jurídico da ANJL, as operadoras também precisam seguir exigências adicionais relacionadas à comunicação dessas informações aos órgãos reguladores.
“Após a adaptação dos sistemas internos para a realização dos bloqueios, as operadoras precisam concluir a análise de todos os CPFs presentes na base de dados. Além disso, existe a obrigação de informar os usuários impedidos dentro dos prazos definidos pelas normas vigentes”, explicou.
Além da suspensão das contas, caso usuários possuam apostas em aberto ou saldo disponível, as plataformas deverão cancelar as operações pendentes e devolver integralmente os valores existentes.
A implementação das novas exigências também evidencia o aumento dos investimentos realizados pelas operadoras autorizadas nos últimos anos.
Para atender às regras do mercado regulamentado, as empresas passaram a desenvolver sistemas mais robustos de verificação de identidade, cruzamento automático de informações, monitoramento financeiro e ferramentas internas de compliance.
Além disso, áreas ligadas à segurança de dados, inteligência operacional e práticas de jogo responsável ganharam importância estratégica dentro das plataformas.
Iuri Dutra, sócio da Luck.bet, afirma que o cenário brasileiro caminha para um ambiente mais estruturado.
“A regulamentação exige investimentos em tecnologia, governança e compliance. Ao mesmo tempo, fortalece a segurança para operadores e consumidores e ajuda a criar um ambiente mais sustentável para o setor.”
O monitoramento dos usuários impedidos ocorre por meio do Sigap, sistema utilizado pelo governo para acompanhar o mercado regulamentado de apostas no país. A plataforma reúne informações de grupos impedidos de apostar e agora também incorpora participantes do Novo Desenrola Brasil.
Para Diego Bittencourt, CMO da Start Bet, o movimento reforça a evolução do setor. “A regulamentação precisa servir não apenas como instrumento de fiscalização, mas também como fator de credibilidade e proteção ao usuário.”
Lançado pelo governo federal, o Novo Desenrola Brasil foi criado para facilitar a renegociação de dívidas de famílias endividadas, estudantes, pequenos empresários e produtores rurais.
Entre os benefícios previstos estão descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida, juros reduzidos, maior prazo para parcelamentos e possibilidade de utilização de recursos do FGTS em determinadas negociações.
Como contrapartida, os participantes passam a integrar automaticamente a base federal de usuários impedidos de apostar nas plataformas regulamentadas durante um período de um ano.
A proposta faz parte de uma estratégia voltada à proteção financeira dos consumidores e ao fortalecimento das políticas de jogo responsável dentro do mercado regulado.
Embora as plataformas autorizadas estejam ampliando mecanismos de controle e fiscalização, especialistas alertam para um desafio crescente: o avanço das operações clandestinas.
Daniel Fortune, influenciador digital especializado em apostas e jogo responsável, avalia que medidas restritivas podem gerar um efeito colateral indesejado caso não sejam acompanhadas por ações mais amplas de combate ao mercado ilegal.
“Existe o risco de parte dos jogadores migrar para plataformas clandestinas, onde não há controle, transparência ou ferramentas de proteção ao usuário.”
Estudos recentes apontam que uma parcela relevante das apostas realizadas no Brasil ainda ocorre fora do ambiente regulado. Além dos prejuízos relacionados à arrecadação tributária, especialistas também apontam riscos maiores para os consumidores, incluindo fraudes, publicidade abusiva e falta de mecanismos de proteção financeira.
Cristiano Costa, psicólogo da EBAC, afirma que o debate precisa ir além das restrições. “As ferramentas de monitoramento e bloqueios preventivos ajudam a proteger pessoas em situação de vulnerabilidade financeira ou emocional e contribuem para uma relação mais consciente com o entretenimento online.”
Especialistas do setor avaliam que o amadurecimento do mercado brasileiro dependerá diretamente do fortalecimento da fiscalização e da capacidade de reduzir o espaço ocupado pelas operações ilegais.
Hans Schleier, COO da Casa de Apostas, destaca que o nível de exigência operacional das empresas aumentou significativamente. “Hoje as plataformas precisam trabalhar com sistemas integrados de monitoramento, validação de dados e mecanismos automatizados para cumprir as exigências regulatórias e garantir mais segurança ao ambiente.”
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