logo betinfo
InícioNotíciasApostadoresEnsinaBetAnálisesCalculadoras

Emenda de Efraim Filho propõe IR de 20% sobre apostas e levanta risco de fuga para mercado ilegal

Proposta apresentada à MP 1.357/2026 prevê aumento da tributação sobre prêmios líquidos das bets para financiar benefício fiscal ao varejo têxtil; outra emenda, de Hermes Klann, sugere alíquota de 25%

Thaynara Godinho em 2 de setembro de 2026

Emenda de Efraim Filho propõe IR de 20% sobre apostas e levanta risco de fuga para mercado ilegal

Uma emenda apresentada pelo senador Efraim Filho (PL-PB) à Medida Provisória 1.357/2026 propõe elevar de 15% para 20% o Imposto de Renda incidente sobre os prêmios líquidos obtidos por apostadores em plataformas de apostas de quota fixa. A medida aparece como uma das alternativas de compensação fiscal para um programa de incentivo ao varejo têxtil.

 

A proposta, porém, não estabelece diretamente a nova alíquota no texto normativo da Emenda nº 14. O aumento da tributação das bets é apresentado na justificativa como fonte de compensação para a renúncia fiscal gerada pelo benefício ao setor de moda.

 

Leia também

 

A discussão ganhou atenção também porque outra emenda à mesma MP, apresentada pelo senador Hermes Klann (PL-SC), propõe uma alíquota diferente: 25%. A diferença entre os textos é relevante, já que as duas propostas possuem autores e percentuais distintos.

 

Atualmente, a tributação sobre os ganhos líquidos anuais das apostas de quota fixa é de 15% sobre valores que ultrapassam R$ 28.467,20.

 

Duas propostas diferentes para aumentar a tributação das bets

 

A MP 1.357/2026, que trata de medidas relacionadas às compras internacionais, recebeu mais de uma centena de emendas durante sua tramitação. Entre elas, algumas sugerem aumentar a arrecadação sobre o setor de apostas como mecanismo para compensar incentivos concedidos ao comércio nacional.

 

A Emenda nº 14, de Efraim Filho, cria o chamado “Programa Varejo Têxtil Popular”. A iniciativa prevê crédito presumido de 10% para determinadas vendas realizadas por empresas do setor de vestuário, calçados, acessórios e produtos têxteis, considerando itens com valor de até R$ 250.

 

Como contrapartida fiscal, a justificativa do parlamentar sugere elevar o Imposto de Renda das bets de 15% para 20%.

 

Já a proposta apresentada por Hermes Klann segue outra configuração. O texto prevê benefícios destinados ao chamado varejo popular, incluindo segmentos como roupas, calçados, brinquedos e cosméticos, e utiliza como fonte de compensação uma elevação do IR das apostas para 25%.

 

A diferença explica parte da confusão que surgiu em torno dos percentuais divulgados recentemente. A alíquota de 25% corresponde à proposta de Klann, enquanto a Emenda nº 14, de Efraim Filho, trabalha com 20%.

 

Aumento do imposto sobre bets está na justificativa da Emenda nº 14

 

Um ponto importante da Emenda nº 14 é a separação entre o texto normativo e sua justificativa. Os dispositivos da proposta de Efraim Filho estão concentrados na criação e regulamentação do benefício tributário destinado ao varejo têxtil. O documento estabelece critérios para enquadramento das empresas, limite de valor dos produtos, cálculo do crédito e mecanismos de compensação e ressarcimento.

 

A alteração na tributação das apostas aparece na justificativa como uma indicação de receita para equilibrar o impacto fiscal da medida.

 

Na avaliação apresentada pelo senador, o aumento da alíquota seria uma forma de compensar a renúncia provocada pelo programa sem modificar a faixa de isenção atualmente estabelecida.

 

Por isso, a mudança não pode ser tratada como uma alteração já efetivada na legislação. Para produzir efeitos, a proposta precisa ser incorporada ao texto que vier a ser aprovado durante a tramitação da medida provisória.

 

O mesmo princípio se aplica à sugestão de 25% apresentada na emenda de Hermes Klann.

 

Proposta prevê renúncia fiscal bilionária para o setor têxtil

 

A justificativa da Emenda nº 14 estima um impacto expressivo para os cofres públicos com a criação do benefício ao varejo.

 

O cálculo apresentado considera um mercado de moda estimado em aproximadamente R$ 427 bilhões em 2025. A partir dessa base, o senador considera que cerca de 70% das vendas poderiam se enquadrar no programa.

 

Com isso, a renúncia tributária anual estimada chega a aproximadamente R$ 30 bilhões. Para justificar a fonte de compensação, a proposta também considera um volume elevado de prêmios pagos pelas empresas de apostas. O cálculo utilizado na justificativa trabalha com cerca de R$ 517 bilhões em prêmios.

 

A lógica da emenda é utilizar o aumento da tributação das apostas para gerar receita suficiente para compensar parte da renúncia decorrente do incentivo ao varejo.

 

Elevação da alíquota pode afetar a canalização do mercado

 

Apesar da possibilidade de aumento da arrecadação, uma mudança na tributação dos apostadores também pode produzir efeitos sobre o comportamento dos consumidores.

 

Desde a regulamentação do mercado brasileiro de apostas de quota fixa, um dos principais desafios do setor é manter os apostadores em plataformas autorizadas pelo governo. A chamada canalização busca reduzir a participação de operadores ilegais e direcionar os usuários para empresas submetidas às regras brasileiras.

 

Nesse cenário, um aumento da carga tributária sobre os ganhos dos apostadores pode alterar a vantagem competitiva das plataformas legalizadas em relação a sites que operam fora do sistema regulatório brasileiro.

 

Operadores ilegais não submetidos à legislação nacional podem oferecer condições diferentes aos usuários, justamente por não estarem sujeitos às mesmas obrigações tributárias, regulatórias e de fiscalização impostas às empresas autorizadas.

 

Apostadores de maior volume podem ser os mais impactados

 

A alteração proposta não atingiria igualmente todos os apostadores. Como a cobrança está vinculada aos ganhos líquidos anuais que ultrapassam a faixa de R$ 28.467,20, o impacto tende a ser mais relevante para quem movimenta valores maiores e obtém ganhos acima desse limite.

 

Nesse grupo, uma elevação da tributação pode aumentar o incentivo à procura por alternativas fora do mercado regulado.

 

Entre os riscos apontados para esse cenário está a migração de usuários para plataformas estrangeiras ou mecanismos financeiros que dificultem o rastreamento das operações pelas autoridades brasileiras.

 

Caso uma parcela dos apostadores deixe as empresas autorizadas, a própria base sobre a qual incide o imposto pode diminuir. Isso cria um possível efeito contrário ao objetivo original da medida: a elevação da alíquota poderia não resultar na arrecadação projetada caso haja redução significativa do mercado tributável.

 

Mercado ilegal continua sendo um desafio para a regulação

 

A discussão sobre a tributação das bets ocorre em um momento em que o governo brasileiro intensifica medidas contra operadores não autorizados.

 

A existência de plataformas ilegais representa um desafio para a política de regulação porque essas empresas não estão sujeitas às mesmas regras de publicidade, proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro e fiscalização financeira aplicadas às operadoras licenciadas.

 

Nesse ambiente, a diferença de custo tributário pode se transformar em um fator de competição.

 

Para especialistas e agentes do mercado regulado, qualquer mudança na tributação dos apostadores precisa considerar não apenas a arrecadação potencial, mas também o comportamento do consumidor e a capacidade do Estado de impedir a migração para operadores clandestinos.

 

MP 1.357/2026 entra na reta final de tramitação

 

A medida provisória foi encaminhada ao Congresso com regras relacionadas às compras internacionais de até US$ 50 e recebeu 112 emendas durante sua tramitação.

 

A comissão mista responsável pela análise foi instalada em 28 de agosto, sob presidência do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), com a senadora Leila Barros (PDT-DF) na relatoria.

 

As discussões sobre o parecer avançaram em meio a divergências relacionadas às regras para remessas internacionais e à duração das medidas previstas na MP.

 

O prazo para votação também aumenta a pressão sobre o Congresso. Caso a medida provisória não seja aprovada dentro do período constitucional, suas disposições perderão validade.

 

Decisão sobre o IR das bets ainda depende do parecer final

 

Até o momento, portanto, não há uma nova alíquota de 20% ou 25% oficialmente aplicada aos apostadores em razão dessas emendas.

 

As duas propostas ainda dependem da tramitação legislativa e da eventual incorporação das mudanças ao texto que será submetido à votação.

 

A eventual adoção de uma alíquota maior sobre os ganhos das bets deverá ser analisada não apenas pelo potencial de arrecadação, mas também pelos efeitos sobre a competitividade do mercado legal.

 

A principal questão é se uma tributação mais elevada conseguirá gerar a receita esperada sem estimular uma migração de apostadores para plataformas não autorizadas. Caso contrário, a medida criada para compensar uma renúncia fiscal poderá enfrentar justamente o problema de reduzir sua própria base de arrecadação.

 

🔞 O jogo não é a sua realidade e o resultado de sua aposta não te define como uma pessoa bem ou mal-sucedida. Procure ajuda psicológica e conheça o que é a Ludopatia. Jogue com responsabilidade. Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento.

NOTÍCIAS SOBRE APOSTAS

VER TUDOVer tudo
Clubes de São Paulo se unem contra projeto que restringe publicidade de bets

Clubes de São Paulo se unem contra projeto que restringe publicidade de bets

Clubes se reuniram na Federação Paulista de Futebol para discutir projetos que podem limitar a publicidade de casas de apostas na capital.

Veja mais

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Instagram

Twitter

LinkedIn

TikTok

WhatsApp

Youtube

Threads

Telegram

QUER FICAR INFORMADO(A) SOBRE O MUNDO DAS APOSTAS?

Receba atualizações em primeira mão sobre o mercado das apostas, análises de jogos e muito mais.

PARCEIROS OFICIAIS

logo betexpologo bis
selo 18 anos

O acesso ao Portal BetInfo é proibido para menores de 18 anos. O jogo pode ser divertido, mas sem controle, torna-se um problema. Aposte com consciência! Não nos responsabilizamos por perdas ou danos. Cada jogador deve cumprir as leis vigentes e nossos termos. O jogo, sem responsabilidade, pode causar prejuízos. Mais informações na página de Jogo Responsável.

Precisa de ajuda? Acesse: www.gamcare.org.uk ou www.netnanny.com

Últimas notíciasPolíticas e diretrizes

© 2025 Portal BetInfo. Todos os direitos reservados.