Flávio Bolsonaro estuda restringir ou proibir bets após impacto de R$ 62 bilhões nas famílias
Candidato do PL à Presidência ainda não definiu se defenderá o fim das apostas on-line, mas campanha avalia mudanças nas regras diante do impacto financeiro atribuído ao setor
Thaynara Godinho em 19 de agosto de 2026

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ainda não definiu qual será sua posição sobre uma eventual proibição das casas de apostas on-line, conhecidas como bets. A informação foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo candidato a vice-presidente da chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), durante um evento em Brasília.
Segundo Gaspar, a campanha avalia diferentes alternativas para o setor, que vão desde o endurecimento das regras atuais até a possibilidade de banimento completo das apostas on-line. A declaração foi feita durante encontro promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) e repercutida pelo Metrópoles.
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A discussão ganhou espaço dentro da campanha após a estimativa apresentada por Gaspar de que R$ 62 bilhões teriam sido retirados das famílias brasileiras em razão das apostas. De acordo com o vice, o dinheiro que seria destinado a despesas básicas, como alimentação, medicamentos e manutenção do orçamento doméstico, estaria sendo direcionado para as plataformas.
Alfredo Gaspar afirmou que Flávio Bolsonaro ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a proibição total das apostas. O candidato, porém, teria uma posição favorável à revisão do modelo regulatório atualmente em vigor.
A intenção, segundo o vice, é avaliar o impacto das medidas antes de apresentar uma proposta definitiva. A campanha considera que eventuais mudanças deverão ser dimensionadas de acordo com o diagnóstico sobre os efeitos econômicos e sociais provocados pelo crescimento das apostas.
A equipe também analisa a possibilidade de estabelecer restrições adicionais para o funcionamento das plataformas, sem descartar a retirada completa das bets do mercado brasileiro.
Apesar de ainda não existir uma posição fechada da campanha, Gaspar afirmou que, pessoalmente, considera necessário adotar medidas mais duras contra o setor.
Na avaliação do candidato a vice, o atual cenário exige uma intervenção ampla e não apenas ações pontuais contra algumas empresas. Entre as alternativas consideradas está a ampliação das restrições ou, em um cenário mais radical, a proibição completa das apostas on-line.
A declaração indica que a discussão sobre as bets deverá ocupar espaço no programa eleitoral da chapa, embora ainda não exista uma proposta definitiva apresentada por Flávio Bolsonaro.
Durante o evento em Brasília, Gaspar relacionou o avanço das apostas ao comprometimento da renda das famílias brasileiras. Segundo o candidato a vice, os R$ 62 bilhões citados representariam recursos que deixaram de ser utilizados em despesas consideradas essenciais.
A cifra também aparece em discussões recentes sobre os impactos econômicos das apostas. Um levantamento divulgado em agosto estimou que as bets teriam movimentado recursos na ordem de R$ 62,5 bilhões provenientes das famílias brasileiras em 2025.
O dado, entretanto, precisa ser interpretado dentro da metodologia utilizada por cada estudo, já que valores relacionados às apostas podem considerar diferentes conceitos, como volume apostado, perdas dos usuários ou movimentação financeira.
O candidato a vice também direcionou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao tratar da expansão do mercado de apostas.
Gaspar atribuiu ao governo federal a responsabilidade pelo modelo de regulamentação atualmente existente. A legislação brasileira, porém, tem uma trajetória anterior: as apostas esportivas de quota fixa foram autorizadas em 2018, durante o governo Michel Temer, enquanto a regulamentação mais ampla do setor ocorreu posteriormente, com mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional e implementação de regras federais.
Desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente dentro do mercado regulado.
Na avaliação apresentada por Gaspar, a regulamentação não teria sido suficiente para proteger os consumidores dos impactos financeiros e sociais associados às apostas.
As declarações foram dadas durante evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, em Brasília. Alfredo Gaspar representou Flávio Bolsonaro no encontro, que também contou com a presença do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial.
Flávio não participou da agenda porque estava em Minas Gerais durante a manhã. O candidato desembarcou em Brasília por volta das 15h30 e tinha outros compromissos previstos para a tarde.
A ausência do candidato fez com que Gaspar apresentasse as posições da campanha sobre diferentes temas, incluindo a possibilidade de revisão da política de apostas on-line.
Apesar das declarações do vice, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não anunciou uma proposta definitiva de proibição das bets. O que existe, até o momento, é o estudo de alternativas que podem envolver novas restrições ou a retirada completa das plataformas do mercado.
A definição deverá ocorrer após a conclusão das avaliações internas da campanha. Até lá, a possibilidade de proibição total permanece em análise, enquanto a revisão da regulamentação aparece como uma das alternativas consideradas pela chapa.
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