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Governo avalia fim do ‘Jogo do Tigrinho’ para manter apostas esportivas reguladas

Planalto discute restringir cassinos online como alternativa a uma proibição ampla das bets; decisão sobre o futuro dos jogos deverá ser tomada pelo presidente Lula

Thaynara Godinho em 22 de setembro de 2026

Governo avalia fim do ‘Jogo do Tigrinho’ para manter apostas esportivas reguladas

O governo federal avalia endurecer as regras para as apostas online no Brasil e estuda uma medida que pode retirar os cassinos online, incluindo jogos populares como o chamado “Jogo do Tigrinho”, das plataformas autorizadas a operar no país. A proposta seria manter as apostas esportivas, criando uma separação entre os diferentes tipos de produtos oferecidos pelas bets.

 

A discussão ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisa alternativas para aumentar as restrições ao setor. Uma das possibilidades em avaliação é justamente limitar os tipos de jogos disponibilizados pelas empresas, em vez de determinar o fim de todo o mercado regulado.

 

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A decisão ainda não foi tomada. Integrantes do governo trabalham em diferentes cenários que deverão ser apresentados ao presidente.

 

Entre as alternativas analisadas está a proibição dos jogos de cassino oferecidos pelas plataformas de apostas. Nesse modelo, as empresas poderiam continuar oferecendo apostas esportivas, mas deixariam de disponibilizar determinados jogos online, como os que reproduzem a dinâmica de caça-níqueis.

 

O chamado “Jogo do Tigrinho” se tornou um dos exemplos mais conhecidos desse segmento e, por isso, aparece no centro do debate sobre uma eventual mudança na regulamentação.

 

A medida seria uma solução intermediária entre a manutenção das regras atuais e uma proibição completa das apostas online. O governo avalia que essa possibilidade permitiria preservar parte do mercado regulado, ao mesmo tempo em que restringiria produtos considerados mais problemáticos dentro das plataformas.

 

Atualmente, a legislação brasileira permite tanto apostas esportivas quanto jogos online dentro do regime de apostas de quota fixa, desde que sejam oferecidos por empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

 

Reunião deve discutir novas medidas para o setor

 

Integrantes do governo devem se reunir nesta quarta-feira (23) para discutir as alternativas que estão sendo elaboradas. Técnicos trabalham em propostas que podem alterar as regras de funcionamento das empresas autorizadas.

 

Além da possibilidade de restringir os cassinos online, também estão em discussão mudanças relacionadas à publicidade e outras formas de endurecimento da regulamentação.

 

O governo já ampliou neste ano as exigências para a propaganda de apostas. Desde julho, anúncios precisam apresentar advertências como “Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” ou “Aposta não é investimento”. As mensagens devem ocupar pelo menos 10% da área da publicidade.

 

Lula cita impactos sociais das apostas

 

O debate ganhou força após Lula participar de peças de comunicação nas quais aparecem relatos de pessoas que afirmam ter enfrentado problemas financeiros e familiares associados às apostas.

 

Entre os depoimentos mencionados estão o de um empresário que relata ter acumulado uma dívida superior a R$ 2 milhões e o de uma mãe que associa problemas relacionados às apostas à morte do filho.

 

Os relatos passaram a integrar a discussão pública sobre os possíveis efeitos do crescimento das apostas online, especialmente em relação ao endividamento e ao comportamento de apostadores.

 

O governo já adota medidas voltadas à proteção dos usuários. Desde o início do mercado regulado, por exemplo, foram proibidos o uso de cartão de crédito para apostas, a oferta de crédito para apostar e os bônus de entrada utilizados para atrair jogadores.

 

Governo teme avanço do mercado clandestino

 

Um dos principais pontos levantados nas discussões é o risco de que uma restrição ampla às plataformas autorizadas estimule a migração de apostadores para sites clandestinos.

 

A preocupação é que operadores ilegais fiquem fora dos mecanismos de fiscalização, das regras de proteção ao apostador e das obrigações tributárias impostas às empresas autorizadas.

 

Esse é um dos argumentos utilizados nas discussões internas para avaliar uma possível restrição específica aos cassinos online, em vez de uma proibição geral das bets.

 

O debate também envolve os impactos econômicos de uma eventual mudança, já que o mercado regulado passou a representar uma fonte de arrecadação para o governo e movimenta contratos de publicidade e patrocínio, inclusive no futebol.

 

Mercado regulado começou em 2025

 

O mercado regulado de apostas de quota fixa entrou oficialmente em funcionamento no Brasil em 1º de janeiro de 2025. Desde então, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente, e os sites autorizados utilizam o domínio “.bet.br”.

 

Em agosto de 2026, o Ministério da Fazenda informou que 85 empresas haviam sido habilitadas para explorar apostas de quota fixa no país.

 

Para obter uma autorização, as empresas precisam pagar R$ 30 milhões em outorga, com validade de cinco anos. Cada autorização permite a exploração de até três marcas.

 

A eventual retirada dos cassinos online, portanto, poderá afetar diretamente empresas que atualmente trabalham com diferentes modalidades dentro de suas plataformas.

 

Decisão final caberá ao presidente Lula

 

O governo ainda não definiu qual instrumento será utilizado para implementar eventuais mudanças. Entre as possibilidades discutidas estão uma nova regulamentação e uma Medida Provisória.

 

O ponto central das discussões é encontrar um modelo que aumente a proteção dos apostadores sem necessariamente eliminar todo o mercado regulado.

 

Caso a alternativa de restringir os jogos seja adotada, as apostas esportivas poderiam continuar funcionando enquanto os cassinos online seriam retirados das plataformas autorizadas.

 

A definição, contudo, ainda depende da avaliação de Lula e das discussões entre os integrantes do governo. Até o momento, não há decisão oficial sobre o fim dos cassinos online ou do chamado “Jogo do Tigrinho”.

 

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