Haddad diz que pretende proibir bets em São Paulo caso seja eleito
Candidato ao governo paulista afirma que apostas on-line representam um “grande perigo” e defende o fim do setor no Estado; declaração ocorre em meio à discussão nacional sobre os impactos das bets
Thaynara Godinho em 21 de setembro de 2026

Crédito da imagem: Reprodução
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que pretende proibir a operação de empresas de apostas de quota fixa no Estado caso seja eleito. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no sábado (19.set.2026), e coloca as bets entre os principais temas econômicos e sociais abordados pelo candidato durante a campanha.
Haddad classificou as apostas on-line como uma “epidemia” e um “grande perigo” para a sociedade brasileira. Segundo ele, a arrecadação gerada pelo setor não compensaria os impactos que, em sua avaliação, as apostas vêm provocando entre os brasileiros.
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Durante a entrevista, Haddad afirmou ter mudado sua posição sobre o setor e passou a defender a proibição das apostas on-line no país. Ao tratar especificamente de São Paulo, o candidato declarou que pretende impedir a atuação das bets no Estado.
A declaração foi feita em referência ao atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário de Haddad na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A proposta apresentada pelo petista amplia para o âmbito estadual o debate que vem sendo conduzido pelo governo federal sobre a regulamentação, publicidade e possíveis restrições ao mercado de apostas.
A posição de Haddad ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre o mercado de apostas no Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também passou a defender publicamente medidas mais duras contra as bets. Em declaração durante um ato em Guarulhos, na Grande São Paulo, Lula afirmou que havia decidido “acabar com as bets”, citando casos de pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo relacionado às apostas.
Ao mesmo tempo, representantes do setor vêm reagindo às propostas de restrição. Segundo levantamento citado pela Folha de S.Paulo, empresas de apostas e entidades ligadas ao mercado argumentam que eventuais limitações podem afetar investimentos em publicidade, patrocínios esportivos e outros segmentos da cadeia de comunicação.
Além das apostas, Haddad falou sobre a situação do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a entrevista.
O candidato classificou o momento vivido pela Corte como “a coisa mais lamentável das últimas décadas” e defendeu que investigações relacionadas a autoridades devem chegar até o fim.
As declarações ocorreram em meio ao caso envolvendo o Banco Master e a análise, pelo STF, de procedimentos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Em 15 de setembro, o plenário do Supremo analisou uma questão de ordem sobre a possibilidade de reunir processos relacionados aos dois ministros. O mérito das apurações não foi analisado naquela sessão. O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, interrompendo a discussão.
O episódio foi marcado por divergências entre integrantes da Corte. Na votação parcial, três ministros defenderam o julgamento conjunto, enquanto quatro votaram pela tramitação separada dos casos. Com o pedido de vista, a análise foi suspensa.
Outro ponto apresentado por Haddad durante a entrevista foi a revisão dos incentivos fiscais concedidos pelo governo de São Paulo.
O candidato afirmou que pretende analisar periodicamente os benefícios concedidos a empresas e verificar se eles continuam cumprindo a finalidade para a qual foram criados.
A proposta, segundo Haddad, seria manter os incentivos considerados justificáveis e revisar aqueles que já teriam cumprido seu objetivo. Ele também mencionou a possibilidade de uma revisão de contratos firmados pelo governo estadual.
A discussão sobre incentivos fiscais envolve diretamente a política de arrecadação e desenvolvimento econômico do Estado, já que benefícios tributários podem ser utilizados como instrumentos para atrair investimentos, estimular determinados setores e gerar empregos.
A declaração de Haddad abre uma discussão sobre como uma eventual proibição estadual poderia ser implementada em um mercado que atualmente possui regulamentação federal.
O mercado brasileiro de apostas de quota fixa passou por um processo de regulamentação federal nos últimos anos, com regras específicas para autorização das empresas, publicidade, proteção dos apostadores e mecanismos de prevenção a práticas consideradas prejudiciais.
Nesse contexto, uma eventual política estadual de proibição ou restrição das bets em São Paulo poderia envolver questões jurídicas e de competência legislativa, além dos impactos econômicos sobre empresas, publicidade, clubes esportivos e consumidores.
Por enquanto, a declaração de Haddad representa uma proposta de campanha. A eventual implementação dependeria das medidas administrativas e legislativas cabíveis e da análise da legislação federal aplicável.
A discussão sobre o futuro das bets em São Paulo deve ganhar ainda mais espaço durante a campanha eleitoral, especialmente diante do movimento nacional por mudanças na regulamentação do setor e das diferentes posições apresentadas por candidatos e autoridades.
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