Lula critica gastos com apostas e defende endividamento com finalidade produtiva
Presidente afirma que não é contra o endividamento pessoal, mas defende que o crédito seja utilizado para melhorar a qualidade de vida; discurso ocorreu durante divulgação de dados sobre emprego formal no país
Thaynara Godinho em 14 de agosto de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a divulgação dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), realizada na quinta-feira (13), para fazer críticas aos gastos com apostas esportivas e jogos de azar. Durante o evento no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o presidente defendeu que o endividamento não é necessariamente negativo, desde que esteja associado a uma finalidade capaz de gerar crescimento ou melhorar a qualidade de vida.
A declaração ocorreu em um momento de maior atenção política às apostas online no Brasil e às discussões sobre os impactos econômicos e sociais do setor. Lula afirmou que o problema está no uso do dinheiro em atividades que podem levar o consumidor a contrair novas dívidas para tentar recuperar perdas anteriores.
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Durante o discurso, Lula afirmou que não é contrário às pessoas que possuem dívidas, mas questionou o endividamento sem uma finalidade considerada produtiva.
Segundo o presidente, o crédito pode ser considerado saudável quando utilizado dentro da capacidade financeira de cada pessoa e com um objetivo relacionado à melhoria das condições de vida. Para ele, é necessário ampliar a educação financeira para evitar que consumidores comprometam recursos além do que conseguem pagar.
Ao abordar especificamente os jogos, Lula afirmou que uma das características do problema relacionado às apostas é a tentativa de recuperar perdas anteriores. Na avaliação apresentada pelo presidente, esse comportamento pode criar um ciclo de gastos sucessivos.
A fala reforça a discussão sobre os efeitos do endividamento associado às apostas, especialmente em um mercado que passou por mudanças regulatórias e expansão no Brasil nos últimos anos.
Crítica às apostas ocorre em meio ao debate eleitoral
A participação de Lula no evento do Ministério do Trabalho foi considerada uma exceção em sua agenda, já que o presidente costuma ter participação menos frequente em cerimônias de divulgação de dados ministeriais.
O discurso também ocorreu às vésperas do período eleitoral, quando temas relacionados à economia, emprego, renda e consumo ganham maior espaço no debate público.
Desde o início das restrições eleitorais, o presidente tem priorizado eventos fechados. Após a cerimônia no MTE, Lula deixou o prédio e cumprimentou apoiadores que estavam reunidos na área externa.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, também participou da apresentação dos dados da Rais. Durante o evento, ele voltou a defender mudanças na jornada de trabalho e cobrou do Senado o avanço da discussão sobre a escala 6x1.
Marinho citou diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pediu que a proposta seja colocada em votação. Segundo o ministro, os parlamentares deveriam permitir que o tema avance para que cada senador possa manifestar sua posição.
A redução da jornada e o fim da escala 6x1 estão entre os assuntos trabalhistas que ganharam destaque no debate nacional, especialmente diante das discussões sobre qualidade de vida, produtividade e condições de trabalho.
Brasil acumula 10,1 milhões de empregos entre 2023 e 2026
Os números apresentados durante o evento mostram que o Brasil acumulou saldo positivo de aproximadamente 10,1 milhões de empregos entre janeiro de 2023 e junho de 2026, de acordo com os dados da Rais.
Do total, cerca de 5,35 milhões correspondem a vínculos celetistas e do setor privado. Outros 4,75 milhões estão relacionados ao setor público.
Entre os segmentos da economia, o setor de serviços apresentou o maior crescimento no período, com avanço de 42% em relação a 2023. Já a agropecuária teve a menor expansão entre os setores considerados, com aumento de 5%.
Na divisão regional, o Norte apresentou crescimento de 34,7%, enquanto o Centro-Oeste registrou avanço de 28,6%.
Emprego formal chegou a 59,9 milhões de vínculos em 2025
O Brasil encerrou 2025 com um estoque de 59,9 milhões de empregos formais, segundo os dados divulgados pelo governo. O resultado representa crescimento de 5% em relação ao ano anterior e acréscimo de aproximadamente 2,8 milhões de vínculos.
Os trabalhadores contratados pelo regime celetista representaram a maior parcela, com 46,1 milhões de vínculos. Na sequência aparecem os servidores estatutários do setor público, com 12,6 milhões.
Entre as categorias jurídicas, o setor municipal apresentou a maior variação, com crescimento de 18,2%.
Ritmo de crescimento desacelera em 2026
Apesar do resultado acumulado desde 2023, os dados mais recentes indicam uma desaceleração na evolução do mercado formal de trabalho.
Entre janeiro e junho de 2026, a Rais registrou variação de 2,6%. O desempenho ocorre em um cenário de menor ritmo de criação de vagas quando comparado aos resultados observados em períodos anteriores.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também apontou resultados mais fracos no segundo trimestre. Entre abril e junho, os indicadores apresentaram o pior desempenho para o período desde 2020, ano marcado pelos impactos da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho.
Apostas entram novamente no debate sobre endividamento
As declarações de Lula colocam as apostas esportivas novamente no centro das discussões sobre consumo, crédito e endividamento no país. Ao defender o que chamou de “dívida saudável”, o presidente associou o uso responsável dos recursos à capacidade de pagamento e à finalidade do gasto.
O debate ocorre em paralelo ao processo de regulamentação e fiscalização do mercado de apostas de quota fixa no Brasil, que busca estabelecer regras para empresas, publicidade, consumidores e mecanismos de proteção aos apostadores.
Nesse cenário, a relação entre apostas, comportamento financeiro e endividamento continua sendo um dos pontos de atenção nas discussões sobre os impactos da expansão do setor no país.
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