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Mais de 519 mil brasileiros solicitaram autoexclusão de bets em 2026; maioria optou por bloqueio sem prazo

Ferramenta criada pelo governo para restringir acesso às plataformas legalizadas registra alta adesão e reforça debate sobre saúde mental e jogo responsável no Brasil

Thaynara Godinho em 21 de maio de 2026

Mais de 519 mil brasileiros solicitaram autoexclusão de bets em 2026; maioria optou por bloqueio sem prazo

O sistema de autoexclusão para apostadores no Brasil registrou um volume expressivo de adesões em seus primeiros meses de funcionamento. Dados divulgados apontam que mais de 519 mil brasileiros solicitaram bloqueio voluntário do acesso às plataformas de apostas autorizadas no país desde o início das operações da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida pelo Ministério da Fazenda.

 

O levantamento considera os primeiros cinco meses de funcionamento da ferramenta e mostra uma média de aproximadamente 144 pedidos por hora. Entre os motivos informados pelos usuários, a principal justificativa está relacionada à saúde mental: cerca de 40% das solicitações ocorreram por perda de controle sobre a atividade de apostas.

 

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As informações revelam que o fator emocional tem sido decisivo para muitos usuários. Quatro em cada dez solicitações foram associadas à percepção de que o hábito de apostar passou a impactar negativamente a rotina pessoal, financeira ou psicológica.

 

Criada como uma medida de proteção ao apostador, a plataforma permite que o próprio usuário decida interromper o acesso a todas as operadoras autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), que atualmente reúne cerca de 200 marcas regularizadas no mercado brasileiro.

 

A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas ao fortalecimento das políticas de jogo responsável no ambiente regulado.

 

Maioria escolheu bloqueio por tempo indeterminado

 

A ferramenta permite que o período de autoexclusão seja definido pelo usuário, com alternativas que variam entre um mês, três meses, seis meses, nove meses, um ano ou tempo indeterminado.

 

Os dados divulgados mostram que sete em cada dez pessoas optaram por bloqueios sem prazo para encerramento. O número indica uma preferência significativa por medidas permanentes ou de longa duração, sugerindo uma busca mais profunda por interrupção do hábito.

 

No portal da plataforma, a medida é apresentada como um mecanismo voltado para estimular a reflexão e incentivar cuidados relacionados ao equilíbrio emocional e à saúde financeira.

 

Além disso, o sistema direciona usuários para canais de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente serviços voltados ao acompanhamento de pessoas que apresentam sinais de comportamento compulsivo relacionado aos jogos.

 

Regulação amplia foco em proteção ao usuário

 

Desde o avanço da regulamentação do mercado de apostas no Brasil, mecanismos de proteção ao consumidor passaram a ocupar papel central nas discussões do setor.

 

A autoexclusão é destinada especialmente a pessoas que identificam mudanças negativas causadas pelo hábito de apostar ou percebem que a atividade passou a representar motivo de preocupação.

 

Especialistas e autoridades vêm defendendo que o crescimento do mercado seja acompanhado por políticas de prevenção, monitoramento e conscientização, reduzindo riscos associados ao jogo problemático.

 

Congresso debate impacto das apostas na saúde pública

 

O aumento das discussões sobre proteção ao apostador também chegou ao Congresso Nacional. Parlamentares de diferentes correntes políticas apresentaram uma proposta que busca classificar as apostas esportivas como produtos de risco à saúde pública.

 

Caso a medida avance, o tema poderá passar a contar com participação mais ampla do Ministério da Saúde na formulação de políticas de prevenção e controle.

 

Os autores da proposta citam dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), que estimam custos anuais de aproximadamente R$ 38,8 bilhões associados aos impactos do jogo problemático no Brasil. Segundo o estudo, cerca de R$ 30,6 bilhões desse valor estariam diretamente relacionados a efeitos na área da saúde.

 

O crescimento dos pedidos de autoexclusão passa a ser observado como um dos indicadores que podem ajudar autoridades e empresas a compreenderem o comportamento dos usuários dentro do novo cenário regulatório brasileiro.

 

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