Mercado ilegal de apostas recua no Brasil no 1º semestre de 2026, aponta estudo
Levantamento da LCA Consultores mostra que plataformas clandestinas passaram a representar entre 38% e 44% das apostas online, abaixo da estimativa registrada em 2025
Thaynara Godinho em 11 de agosto de 2026

A participação do mercado ilegal no setor de apostas online apresentou redução no primeiro semestre de 2026, segundo um novo estudo elaborado pela LCA Consultores. A estimativa aponta que entre 38% e 44% das apostas realizadas no Brasil ocorreram em plataformas clandestinas, percentual inferior ao intervalo de 41% a 51% identificado no levantamento anterior, divulgado em junho de 2025.
O estudo “Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil” foi desenvolvido pela LCA com base em dados da pesquisa “Incidência de apostas ilegais no Brasil”, conduzida pelo Instituto Locomotiva a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
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A pesquisa mais recente ouviu 2.291 jogadores em todo o país, em maio de 2026, considerando os hábitos de apostas registrados nos três meses anteriores ao levantamento.
Apesar da queda na estimativa, o mercado não licenciado continua tendo participação relevante entre os apostadores brasileiros.
Entre os entrevistados, 53% afirmaram ter apostado em sites que não exigiram reconhecimento facial. Outros 48% disseram ter utilizado plataformas com domínio diferente de “.bet.br”, enquanto 37% relataram ter realizado depósitos por cartão de crédito.
O uso de criptomoedas também apareceu entre as práticas identificadas. Segundo o levantamento, 23% dos apostadores utilizaram criptoativos para realizar depósitos, modalidade que não é permitida pelas regras do mercado regulado brasileiro.
Para Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, a redução indica que as medidas de regulamentação e fiscalização começaram a produzir efeitos.
Segundo ele, o desafio é manter o combate às plataformas clandestinas e, ao mesmo tempo, preservar segurança jurídica e previsibilidade para os operadores autorizados.
O mercado regulado de apostas de quota fixa passou a operar sob as novas regras em 1º de janeiro de 2025. Desde então, somente empresas autorizadas pelo Governo Federal podem oferecer legalmente apostas no país.
As operadoras licenciadas estão submetidas a obrigações tributárias, regras de funcionamento e mecanismos voltados à proteção dos apostadores.
Dados do Ministério da Fazenda citados no estudo apontam que, durante o primeiro ano do mercado regulado, as casas de apostas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais.
Os recursos foram direcionados a diferentes áreas previstas na legislação, incluindo esporte, turismo, segurança pública e educação. Cada empresa autorizada também realizou o pagamento de R$ 30 milhões em outorga.
Outro levantamento sobre o setor aponta que as operadoras regulamentadas investiram aproximadamente R$ 7,5 bilhões em capital social, com uma estimativa de 15,5 mil empregos diretos e indiretos gerados pela atividade.
Para Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores, os números apontam para uma redução tanto na participação das plataformas ilegais quanto na incerteza sobre o tamanho desse mercado.
Na avaliação do especialista, o cenário demonstra possíveis efeitos positivos da regulamentação e das ações de fiscalização adotadas contra operadores clandestinos.
O levantamento, entretanto, também reforça a necessidade de continuidade das medidas de controle e monitoramento do mercado, especialmente diante da permanência de uma parcela expressiva de consumidores em plataformas não autorizadas.
A pesquisa do Instituto Locomotiva também analisou o perfil dos apostadores que tiveram contato com plataformas associadas ao mercado ilegal.
Entre esse público, 51% são mulheres e 49% são homens. A maior concentração está entre pessoas de 18 a 29 anos, que representam 54% do grupo analisado.
Em relação à renda, 51% recebem até dois salários mínimos, segundo os dados apresentados no levantamento.
A pesquisa também indica que, para uma parcela considerável desses consumidores, as plataformas não licenciadas não são utilizadas apenas de maneira eventual.
Cerca de 51% afirmaram utilizar exclusivamente esse tipo de plataforma. Outros 36% disseram que esses sites concentram a maior parte de suas apostas. Para 8%, as plataformas representam aproximadamente metade das apostas realizadas, enquanto 6% afirmaram que fazem nelas a menor parcela de suas apostas.
Mesmo com a utilização de sites não autorizados, a percepção sobre os riscos associados ao mercado ilegal é elevada entre os apostadores.
De acordo com o levantamento, 77% dos entrevistados concordam total ou parcialmente que as plataformas ilegais não seguem regras e normas relacionadas ao jogo responsável e, por isso, podem representar maior risco aos consumidores.
Outros 13% disseram não concordar nem discordar da afirmação. Já 5% discordaram parcialmente e outros 5% discordaram totalmente.
Para Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, os dados mostram uma redução da participação do mercado ilegal, mas indicam que o problema permanece relevante.
O especialista destaca ainda que existe uma percepção ampla entre os próprios apostadores sobre a necessidade de ampliar as ações contra plataformas que operam fora do sistema regulado.
Com a regulamentação do setor, existem critérios que permitem ao consumidor verificar se uma plataforma está autorizada a operar no país.
Um dos principais sinais é o domínio “.bet.br”, obrigatório para as empresas licenciadas. Sites que não utilizam essa extensão não possuem autorização para atuar legalmente em todo o território nacional.
As plataformas regulamentadas também devem adotar mecanismos de identificação e segurança, incluindo reconhecimento facial, envio de documentos e outras verificações cadastrais.
Entre as exigências estão ainda ferramentas para estabelecer limites de tempo e de perdas financeiras, além de mecanismos de autoexclusão destinados a jogadores que desejam interromper o acesso às apostas.
Outro ponto importante está relacionado aos meios de pagamento. No mercado regulado, são permitidas operações via Pix e débito em conta de titularidade do próprio apostador, enquanto cartões de crédito e criptomoedas não são aceitos para essas transações.
Para auxiliar consumidores na identificação de operadores autorizados, o IBJR mantém a plataforma Bet Alert, que permite verificar se determinada empresa está regulamentada pelo Governo Federal.
A consulta pode ser feita pelo site Bet Alert.
A recomendação é que o consumidor confira a situação da plataforma antes de realizar qualquer cadastro ou depósito.
Os dados apresentados pela LCA Consultores indicam uma redução da participação estimada do mercado ilegal entre 2025 e o primeiro semestre de 2026. A queda, porém, ocorre em um cenário no qual as plataformas clandestinas ainda representam uma parcela expressiva do consumo de apostas online no país.
Para o setor, os próximos passos envolvem a continuidade das ações de fiscalização, o bloqueio de operadores irregulares e o fortalecimento dos mecanismos de proteção ao consumidor.
A evolução do mercado regulado também deve ser acompanhada de medidas capazes de reduzir os incentivos para que apostadores migrem para plataformas que operam fora das regras estabelecidas no Brasil.
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