A discussão sobre a proibição das apostas esportivas voltou ao centro do debate político após declarações do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Durante participação no Summit Mulheres Profissões, realizado em São Paulo, o chefe da pasta defendeu que o Brasil aprove uma nova legislação para impedir definitivamente o funcionamento das plataformas de apostas no país.
Segundo Marinho, as bets têm provocado impactos negativos na saúde mental dos trabalhadores e contribuído para o aumento do endividamento das famílias. Para ele, apenas uma mudança na legislação pode interromper a atuação das empresas do setor.
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As declarações chamam atenção porque ocorrem meses após o governo federal concluir a regulamentação do mercado de apostas de quota fixa. Atualmente, as operadoras licenciadas pagam tributos ao governo e parte dessa arrecadação já possui destinação específica em lei.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma norma que direciona parte dos impostos recolhidos pelas bets ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol).
Ministro relaciona bets ao adoecimento dos trabalhadores
Ao abordar o tema durante o evento, Luiz Marinho afirmou que a melhor solução seria eliminar completamente a atividade no país.
Na avaliação do ministro, as plataformas de apostas favorecem o empobrecimento da população, ampliam o endividamento e geram impactos diretos sobre a saúde física e emocional dos trabalhadores.
Para que isso aconteça, entretanto, ele ressaltou que a decisão depende exclusivamente do Congresso Nacional, responsável por aprovar uma legislação proibindo a operação das empresas de apostas no Brasil.
NR-1 é apontada como ferramenta para reduzir impactos no ambiente de trabalho
Enquanto defende mudanças na legislação, o Ministério do Trabalho também aposta na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para enfrentar o avanço dos problemas relacionados à saúde mental no ambiente corporativo.
A norma determina que empresas façam o gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais que possam comprometer o bem-estar dos trabalhadores.
Segundo Marinho, a medida representa um passo importante para prevenir casos de adoecimento relacionados a diferentes fatores presentes no ambiente de trabalho.
Ministro critica ação no STF que suspendeu aplicação de multas
O titular da pasta também criticou a iniciativa de entidades empresariais que recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar a aplicação de penalidades previstas na NR-1.
Por decisão do ministro André Mendonça, a aplicação das multas foi suspensa por 90 dias, permitindo que empresas e governo mantenham negociações antes do início das autuações.
Apesar disso, Luiz Marinho afirmou que a decisão não impede a implementação da norma e reforçou que as empresas devem aproveitar o período para adequar seus processos internos.
Segundo ele, após o prazo estabelecido, organizações que optarem por não cumprir as exigências poderão ser penalizadas pelos órgãos de fiscalização.
Escala 6x1 também foi apontada como fator de desgaste psicológico
Durante sua participação no evento, Marinho ampliou o debate sobre saúde mental ao citar a jornada de trabalho no modelo 6x1 como outro fator que contribui para o adoecimento dos profissionais.
Na avaliação do ministro, a demora na discussão sobre mudanças nesse regime de trabalho acaba prolongando problemas relacionados ao desgaste físico e emocional dos trabalhadores.
Ele defendeu que o tema também receba atenção das autoridades responsáveis, destacando que tanto as condições de trabalho quanto fatores externos, como o crescimento das apostas esportivas, precisam ser considerados nas políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador.
Embora o governo federal tenha regulamentado o mercado de apostas e utilize parte da arrecadação gerada pelo setor em diferentes áreas da administração pública, as declarações de Luiz Marinho demonstram que o debate sobre a permanência das bets no Brasil continua dividindo opiniões dentro do próprio governo e deve permanecer em pauta no Congresso Nacional nos próximos meses.