Bancos encerram 323 contas suspeitas de ligação com bets ilegais em 2026
Levantamento obtido via Lei de Acesso à Informação mostra que instituições financeiras identificaram movimentações incompatíveis com o perfil dos titulares e fecharam mais de 300 contas no primeiro trimestre
Thaynara Godinho em 7 de agosto de 2026

Bancos e instituições de pagamento encerraram 323 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento com bets ilegais no primeiro trimestre de 2026. O número revela o avanço do monitoramento financeiro sobre operações de apostas que funcionam fora do mercado autorizado no Brasil.
Os dados foram obtidos pela Pay4Fun junto ao Ministério da Fazenda por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O levantamento aponta que as instituições financeiras identificaram movimentações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelos titulares das contas.
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A análise das transações passou a ocupar um espaço importante nas estratégias de combate ao mercado clandestino de apostas, especialmente diante do uso de diferentes estruturas financeiras para movimentar recursos e dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.
O levantamento mostra uma evolução no número de encerramentos ao longo do primeiro trimestre de 2026.
Em janeiro, foram fechadas 65 contas consideradas suspeitas. O número aumentou para 127 em fevereiro e chegou a 131 em março, mês que registrou a maior quantidade de encerramentos no período.
Ao todo, os três meses somaram 323 contas de pessoas físicas e empresas que apresentaram comportamentos financeiros considerados incompatíveis com os perfis cadastrados nas instituições.
A identificação dessas operações ocorre a partir do acompanhamento de padrões de movimentação e de transações que fogem do comportamento esperado para determinado cliente ou atividade econômica.
Entre os comportamentos identificados pelas instituições financeiras estavam grandes volumes de transações via Pix concentradas em períodos curtos.
Outro sinal observado foi a utilização de contas de terceiros para receber dinheiro e efetuar pagamentos relacionados às apostas. Esse tipo de estrutura pode dificultar a identificação dos responsáveis pela movimentação dos recursos.
Também foram encontradas empresas formalmente registradas em segmentos como comércio e prestação de serviços que apresentavam movimentações financeiras incompatíveis com as atividades informadas no cadastro.
Em alguns casos, as contas recebiam valores de um grande número de apostadores e, posteriormente, realizavam pagamentos em massa para pessoas físicas.
Esse padrão pode indicar a existência de estruturas utilizadas para intermediar operações de apostas clandestinas, embora a identificação de movimentações suspeitas, isoladamente, não signifique que todos os titulares tenham cometido uma irregularidade ou crime.
A movimentação financeira é um dos pontos centrais na identificação de operações clandestinas de apostas. Isso ocorre porque plataformas não autorizadas podem recorrer a diferentes contas, empresas e intermediários para receber depósitos de usuários e realizar pagamentos.
A pulverização das transações pode dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação da estrutura responsável pela operação.
Por isso, o acompanhamento realizado por bancos e instituições de pagamento tornou-se uma das ferramentas utilizadas para detectar comportamentos financeiros que podem estar relacionados a atividades incompatíveis com as regras do mercado regulado.
A regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil ampliou a necessidade de mecanismos capazes de diferenciar operações autorizadas de atividades que continuam funcionando à margem das regras estabelecidas.
Nesse cenário, bancos, instituições de pagamento, órgãos públicos e empresas autorizadas desempenham funções complementares no acompanhamento do mercado.
A análise de transações permite identificar padrões considerados atípicos e, quando necessário, adotar medidas previstas nas políticas de controle e prevenção das instituições.
O encerramento de uma conta suspeita não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual prática ilícita. A medida faz parte dos mecanismos de gerenciamento de risco e de prevenção utilizados pelo sistema financeiro diante de movimentações que demandam investigação ou esclarecimento.
Os 323 encerramentos registrados no primeiro trimestre de 2026 mostram que o combate às apostas ilegais não depende apenas da fiscalização das plataformas.
O fluxo financeiro também se tornou um ponto estratégico para identificar estruturas que podem estar relacionadas ao mercado clandestino. Ao acompanhar a origem, o volume e o destino das transações, as instituições conseguem gerar informações relevantes para os mecanismos de controle.
A atuação coordenada entre o sistema financeiro, empresas autorizadas e autoridades públicas tende a aumentar a capacidade de identificação de operações fora das regras.
Com o mercado regulado em funcionamento, o monitoramento das movimentações financeiras deve continuar sendo uma das principais frentes para reduzir a atuação de plataformas e estruturas associadas às bets ilegais no país.
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