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Bets planejam expansão para pontos físicos enquanto governo discute regulamentação do setor

Empresas de apostas avaliam ampliar a operação para terminais físicos em estados como Rio de Janeiro e Paraná, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas mantém o tema na agenda regulatória federal

Thaynara Godinho em 25 de setembro de 2026

Bets planejam expansão para pontos físicos enquanto governo discute regulamentação do setor

Empresas de apostas esportivas estudam ampliar a presença no mercado brasileiro por meio de terminais físicos, levando a possibilidade de apostar para estabelecimentos fora do ambiente exclusivamente digital. O movimento ocorre em um momento de aumento das críticas políticas às bets e de novas discussões sobre os limites e as regras para o setor.

 

A possibilidade de regulamentar esse modelo já vinha sendo analisada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, responsável por autorizar, regulamentar, fiscalizar e supervisionar as empresas de apostas de quota fixa.

 

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Documentos da própria SPA mostram que a exploração de apostas por terminais físicos integra a agenda regulatória de 2026. O tema envolve tanto apostas de quota fixa quanto outras modalidades lotéricas.

 

A discussão envolve equipamentos instalados em locais físicos que permitiriam ao consumidor realizar apostas por meio de sistemas conectados às plataformas autorizadas.

 

Em documento técnico publicado pelo Ministério da Fazenda, a SPA aponta a necessidade de estabelecer parâmetros federais para esse tipo de operação, incluindo requisitos de autorização, certificação de equipamentos e sistemas, responsabilidades dos operadores e proteção dos consumidores.

 

A proposta também considera mecanismos de identificação de usuários, verificação de idade, rastreabilidade das operações, segurança dos equipamentos e ferramentas de jogo responsável.

 

Entre as possibilidades avaliadas estão sistemas de autoexclusão, limites de aposta, alertas e pausas durante a utilização dos terminais.

 

Estados já avançam com modelos próprios

 

Um dos pontos que motivam a discussão federal é a existência de diferentes regras estaduais para operações físicas relacionadas a loterias e terminais.

 

Segundo documentos da SPA, estados como Rio de Janeiro e Paraná já possuem experiências com modelos de exploração física, enquanto a regulamentação federal das apostas de quota fixa foi estruturada principalmente para o ambiente online.

 

A avaliação apresentada no relatório é que essa diferença pode criar regras distintas para operadores que disputam o mesmo mercado consumidor.

 

A eventual regulamentação nacional teria, portanto, o objetivo de estabelecer parâmetros mínimos e reduzir diferenças entre os modelos adotados pelos diferentes entes federativos.

 

Onde os terminais poderiam ser instalados

 

O debate também alcança os locais que poderiam receber os equipamentos.

 

Entre as possibilidades discutidas em contribuições à consulta pública estão estabelecimentos comerciais e pontos de varejo. O relatório da SPA registra, inclusive, propostas relacionadas ao uso de estabelecimentos comerciais como parte da estrutura de operação física.

 

A definição dos locais, entretanto, está diretamente ligada às regras de controle de acesso e identificação dos apostadores.

 

A preocupação é maior em ambientes de livre circulação, onde poderia ser mais difícil impedir o acesso de pessoas que não tenham autorização para apostar.

 

Procon alerta para acesso de menores

 

Durante a discussão regulatória, órgãos de defesa do consumidor levantaram preocupações relacionadas à instalação de terminais em locais de acesso amplo.

 

A principal questão envolve a possibilidade de equipamentos ficarem disponíveis em estabelecimentos como supermercados, postos de combustíveis, farmácias, bares e lanchonetes, o que poderia dificultar a fiscalização da idade dos usuários.

 

Entre as medidas discutidas estão a utilização de ambientes controlados, mecanismos de identificação e restrições de acesso para impedir que menores utilizem os equipamentos.

 

Tema ganha relevância em meio às críticas de Lula

 

A discussão sobre a expansão física das bets acontece paralelamente ao endurecimento do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as apostas.

 

Nesta semana, Lula voltou a criticar o setor e afirmou que pretende combater as bets, relacionando sua preocupação principalmente ao impacto das plataformas sobre jovens e ao uso de algoritmos.

 

Ao mesmo tempo, a estrutura regulatória federal segue avançando em diferentes frentes. A SPA mantém iniciativas relacionadas à fiscalização, proteção dos apostadores, combate ao mercado ilegal e aperfeiçoamento das regras para empresas autorizadas.

 

Regulamentação ainda está em desenvolvimento

 

Apesar de o tema estar na agenda oficial, a regulamentação dos terminais físicos ainda está em desenvolvimento. A página da Agenda Regulatória 2026 da SPA classifica a iniciativa dessa forma e prevê a definição de regras, condições e requisitos técnicos para a exploração por terminais físicos.

 

A agenda regulatória da Secretaria é organizada em ciclos e prevê participação social por meio de consultas e discussões técnicas antes da formalização das normas.

 

Com isso, a expansão das bets para o ambiente físico depende da definição do modelo regulatório, dos requisitos técnicos e das regras de proteção ao consumidor.

 

Enquanto as empresas avaliam novas possibilidades de atuação, o governo federal precisa definir como esse mercado poderá funcionar de forma integrada às regras nacionais e às diferentes experiências já existentes nos estados.

 

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