MP das bets recebe 48 emendas no Congresso, com propostas para derrubar proibições
Medida provisória assinada por Lula já recebeu 48 propostas de alteração, incluindo emendas para preservar apostas esportivas, limitar publicidade e ampliar atendimento pelo SUS
Thaynara Godinho em 7 de outubro de 2026

A medida provisória que determina o fim das apostas esportivas de quota fixa e dos jogos on-line no Brasil já recebeu 48 emendas apresentadas por deputados e senadores. As propostas começaram a desenhar no Congresso uma reação ao texto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com parlamentares defendendo mudanças importantes na proibição.
O prazo para apresentação de novas emendas também foi ampliado. A entrega das propostas poderá ocorrer até 13 de outubro, depois do primeiro turno das eleições.
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As emendas, no entanto, ainda precisam passar pela análise do Congresso Nacional e não modificam automaticamente as regras estabelecidas pela MP. Para que qualquer alteração entre em vigor, será necessário que o Legislativo aprove um novo texto.
Entre as propostas apresentadas está uma emenda do deputado Bebeto (PP-RJ), que busca retirar a proibição das empresas de apostas e, em contrapartida, estabelecer novas limitações para a publicidade do setor.
A proposta também trata da possibilidade de empresas de apostas adquirirem direitos de nomeação de estádios de futebol, os chamados naming rights.
Na justificativa, o parlamentar sustenta que simplesmente proibir as plataformas não seria suficiente para eliminar a demanda dos consumidores. Na avaliação apresentada na emenda, a medida poderia favorecer o crescimento de sites não autorizados, inclusive operadores sediados fora do país.
O argumento coloca em debate um dos principais pontos da MP: se a proibição do mercado regulado será capaz de reduzir as apostas ou se poderá estimular a migração de apostadores para plataformas ilegais.
Outra proposta apresentada no Congresso trata dos impactos relacionados ao comportamento de jogadores.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou emenda para garantir atendimento integral, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), às pessoas que desenvolverem problemas relacionados às apostas e também aos seus familiares.
A proposta inclui a saúde pública no debate sobre a regulamentação do setor e busca criar mecanismos de assistência para pessoas afetadas pelo comportamento compulsivo relacionado às apostas.
Além das medidas voltadas à saúde, outras emendas apresentadas até o momento discutem a possibilidade de devolver às empresas parte dos valores pagos pelas licenças e criar regras de transição para contratos publicitários firmados entre casas de apostas e clubes de futebol.
Uma das principais frentes de reação à MP está concentrada na tentativa de retirar as apostas esportivas da proibição.
Deputados e senadores apresentaram propostas para manter essa modalidade legalizada, alterando o alcance da medida provisória assinada pelo presidente Lula.
Entre os parlamentares que apresentaram emendas nesse sentido estão os deputados Marcos Braz, Julio Lopes, Pedro Aihara, Felipe Francischini e Julio Arcoverde, além dos senadores Marcos Pontes e Hiran Gonçalves.
A discussão também ganhou peso político com a defesa de um modelo que permita a continuidade das apostas esportivas, mas mantenha a proibição dos cassinos on-line.
Essa é uma das posições defendidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tem feito críticas à decisão do governo federal de extinguir o mercado de bets.
Apesar do número de emendas já apresentadas, o texto aprovado inicialmente pelo governo ainda não representa necessariamente a versão definitiva da legislação.
A medida provisória tem força de lei desde sua publicação, mas possui vigência temporária. Para que as regras estabelecidas por Lula sejam transformadas em legislação permanente, o texto precisa ser analisado e aprovado pelo Congresso Nacional.
Com as propostas apresentadas, os parlamentares poderão alterar pontos centrais da MP, incluindo a própria proibição das apostas esportivas, regras de publicidade, contratos com clubes, licenciamento e políticas de prevenção e tratamento dos problemas relacionados ao jogo.
A apresentação de emendas poderá continuar até 13 de outubro. O prazo foi prorrogado pela presidência do Congresso, que justificou a decisão pela necessidade de assegurar condições de participação aos parlamentares após o primeiro turno das eleições.
Até o momento, ainda não havia definição sobre o calendário completo de análise da medida provisória nem sobre os nomes que ocuparão a presidência e a relatoria da comissão mista responsável pela discussão do texto.
Com isso, o número de emendas ainda pode aumentar nos próximos dias.
A tramitação da MP deve concentrar uma das principais disputas envolvendo o mercado de apostas no país.
De um lado, o governo federal defende a proibição das bets e dos jogos on-line. Do outro, parlamentares articulam alternativas que vão desde a manutenção das apostas esportivas sob novas regras até medidas específicas para publicidade, contratos, saúde e transição do mercado.
O resultado da votação no Congresso será decisivo para determinar se a proibição estabelecida pela MP será mantida, modificada ou substituída por um novo modelo para o setor de apostas no Brasil.
Por enquanto, as 48 emendas apresentadas mostram que o texto ainda está longe de ser uma decisão definitiva.
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