Patrocínio de bets domina a Série A e já está presente em mais da metade dos clubes do Brasileirão
Casas de apostas consolidam liderança no mercado esportivo brasileiro, ampliam investimentos em clubes, campeonatos e transmissões, enquanto novas regras endurecem a publicidade do setor
Thaynara Godinho em 29 de julho de 2026

As casas de apostas seguem ampliando sua presença no futebol brasileiro e consolidando o segmento como um dos principais investidores do esporte nacional. Com a estreia da Sportingbet como patrocinadora máster do Vasco da Gama, a Série A do Campeonato Brasileiro passou a contar com 12 dos 20 clubes estampando marcas de operadoras de apostas em seus uniformes.
O avanço reforça o peso financeiro do setor no futebol, que hoje ultrapassa o espaço das camisas e alcança competições, transmissões esportivas e campanhas publicitárias de grande alcance.
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A presença das empresas de apostas esportivas já representa uma das maiores fontes de receita para os clubes da elite nacional. Os contratos firmados nos últimos anos elevaram significativamente os investimentos destinados às equipes e fortaleceram a relação entre o setor e o esporte.
Entre os principais exemplos está o Rio de Janeiro. O Vasco passou a exibir a Sportingbet como patrocinadora principal, enquanto o Botafogo mantém parceria com a VBet. O Flamengo segue estampando a Betano, e o Fluminense tem a Superbet em seu uniforme.
Em São Paulo, o cenário também é dominado pelas operadoras. O Palmeiras fechou acordo com a Sportingbet, o Corinthians tem a Esportes da Sorte como patrocinadora máster e o São Paulo mantém contrato com a Superbet.
Em Minas Gerais, o Atlético-MG é patrocinado pela H2Bet, enquanto o Cruzeiro atua com a Betnacional. No Nordeste, o Vitória conta com o apoio da 7K.
O movimento também alcança clubes de outras divisões do futebol brasileiro. O Remo, por exemplo, possui parceria com a VaideBet, enquanto a Chapecoense exibe a marca da ZeroUm.
Os investimentos das casas de apostas não se limitam aos clubes. As empresas também passaram a disputar espaço nas principais competições do continente.
A Betano adquiriu os naming rights da Série A do Campeonato Brasileiro, enquanto a Superbet tornou-se patrocinadora da Série B. Já a Sportingbet ampliou sua atuação ao fechar parceria com a Conmebol Libertadores, aumentando sua exposição em torneios internacionais.
Esse crescimento impulsionou o mercado publicitário. De acordo com levantamento do Ibope Advertising Intelligence, o setor movimenta mais de R$ 2,9 bilhões em publicidade e reúne 15 operadoras entre os 300 maiores anunciantes do país.
Além dos estádios, as empresas intensificaram sua presença nas transmissões esportivas. Durante a última Copa do Mundo, diversas casas de apostas investiram em campanhas publicitárias veiculadas em plataformas de grande audiência, como CazéTV, Grupo Globo e SBT.
A estratégia ampliou significativamente a exposição das marcas junto ao público brasileiro e fortaleceu a competição entre as operadoras pelo mercado nacional.
O crescimento acelerado da publicidade também despertou a atenção dos órgãos reguladores. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) iniciou investigações para verificar possíveis irregularidades em campanhas promocionais realizadas durante eventos esportivos.
Paralelamente, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) analisou ações de comunicação promovidas pelas empresas do setor.
Como parte do processo de regulamentação das apostas no Brasil, o Ministério da Fazenda, em conjunto com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, implementou novas normas para disciplinar a publicidade das operadoras.
Entre as mudanças, narradores e comentaristas estão proibidos de incentivar apostas durante transmissões esportivas. Além disso, todas as campanhas publicitárias devem apresentar alertas obrigatórios informando que apostar pode causar dependência, provocar perdas financeiras e não constitui forma de investimento.
As medidas fazem parte da estratégia do governo para ampliar a proteção ao consumidor e estabelecer parâmetros mais rigorosos para a divulgação das apostas de quota fixa no país.
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