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Proibição do iGaming no Brasil faz mercado offshore avançar e derruba presença de afiliados

Dados da Blask apontam que marcas offshore passaram de 3,4% para 9,9% da demanda por iGaming em apenas quatro dias, enquanto a presença das 20 marcas mais promovidas em sites afiliados recuou 41,5% em uma semana

Thaynara Godinho em 1 de outubro de 2026

Proibição do iGaming no Brasil faz mercado offshore avançar e derruba presença de afiliados

A proibição das apostas de quota fixa e dos jogos online no Brasil já começa a alterar a dinâmica do mercado. Dados da Blask mostram um avanço expressivo da participação de marcas offshore na demanda dos usuários, acompanhado por uma forte redução na presença das principais marcas de apostas em sites afiliados.

 

O movimento ocorre poucos dias após a publicação da medida que determinou o fim das operações de apostas de quota fixa e jogos online no país. Segundo a Blask, o Brasil é atualmente o mercado com maior demanda de usuários por iGaming entre os 142 países monitorados pela plataforma.

 

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Desde a abertura do mercado regulado, em janeiro de 2025, as marcas licenciadas concentravam mais de 96% do interesse dos usuários brasileiros. Esse cenário começou a mudar rapidamente após a publicação da proibição.

 

O levantamento da Blask mostra que, entre 1º de janeiro de 2025 e 24 de setembro de 2026, as marcas offshore respondiam, em média, por 3,9% da demanda brasileira de iGaming.

 

Na véspera da publicação da medida, em 24 de setembro, o percentual era ainda menor: 3,4%.

 

A partir do anúncio da proibição, porém, a participação offshore avançou diariamente. Em 29 de setembro, quatro dias depois da publicação, chegou a 9,9%, o maior nível registrado pela Blask desde o início do mercado regulado.

 

Na prática, o dado representa uma mudança significativa na composição da demanda. Embora a métrica da Blask seja baseada em interesse e visibilidade dos usuários — e não represente diretamente volume financeiro ou número de apostadores —, a evolução indica que as marcas não licenciadas passaram a ocupar um espaço maior no ambiente digital brasileiro.

 

O movimento acontece durante o período de transição determinado pelo governo. De acordo com o cronograma divulgado pela Blask, novos depósitos foram interrompidos com a publicação da medida, enquanto os usuários podem realizar saques até 5 de outubro. Os sites e aplicativos devem ser retirados do ar a partir de 6 de outubro.

 

Presença de afiliados recua 41,5% em uma semana

 

A mudança também atingiu o ecossistema de afiliados, responsável por uma parcela relevante da divulgação e aquisição de usuários no mercado regulado.

 

Segundo o levantamento, as 20 marcas mais promovidas estavam presentes, juntas, em 715 sites afiliados uma semana antes. Em 29 de setembro, esse número havia caído para 418 sites.

 

A redução corresponde a 41,5% em apenas sete dias, com todas as 20 marcas analisadas registrando queda na quantidade de sites afiliados em que apareciam.

 

Entre as empresas afetadas está a Bet365, que havia sido a marca mais promovida em agosto. Sua presença caiu de 60 para 31 sites afiliados.

 

Brazino777, Novibet e Sportingbet também registraram retrações no período.

 

A Stake passou a liderar o ranking de presença entre os afiliados monitorados, embora também tenha perdido espaço, passando de 51 para 38 sites. Já a Betano, que aparece como líder em demanda de usuários no levantamento da Blask, estava presente em 33 sites afiliados, 15 a menos que na semana anterior.

 

Proibição também atinge intermediação e publicidade

 

A queda na cobertura dos afiliados está diretamente relacionada ao alcance da nova medida, que não se limita à operação das plataformas.

 

A proibição também alcança atividades de intermediação e publicidade relacionadas às apostas de quota fixa. Isso inclui mecanismos utilizados tradicionalmente pelo mercado de afiliados, como links de direcionamento, conteúdos patrocinados e códigos promocionais.

 

Luiz Felippe Correia de Almeida, CEO da Smart Social, avalia que os afiliados com atuação concentrada no Brasil estão entre os mais afetados pela mudança. “Os afiliados que dependem exclusivamente do Brasil estão sob maior pressão”, afirmou o executivo.

 

Segundo Almeida, uma das alternativas para essas empresas é buscar outros mercados e diversificar a atuação geográfica. A manutenção de estratégias voltadas ao público brasileiro por canais alternativos, por outro lado, pode aumentar a exposição às penalidades previstas pela nova legislação.

 

Mercado regulado perde parte do ecossistema de divulgação

 

Os números apresentados pela Blask mostram que os primeiros efeitos da proibição não estão restritos às operadoras.

 

Em paralelo à redução da presença das marcas licenciadas em sites afiliados, as marcas offshore ganharam participação na demanda registrada pela plataforma. O cenário sugere uma mudança rápida na estrutura de aquisição e visibilidade das marcas no mercado brasileiro.

 

Outro dado divulgado pela própria Blask ajuda a dimensionar o cenário anterior à proibição: em um painel referente aos 90 dias anteriores à medida, 57% dos usuários brasileiros que acessaram um site de apostas já haviam chegado a uma plataforma não licenciada, seja de forma exclusiva ou juntamente com uma marca .bet.br.

 

A informação não significa que esses usuários tenham abandonado definitivamente as plataformas licenciadas, mas demonstra que o acesso a operadores não autorizados já fazia parte do comportamento observado antes da proibição.

 

Demanda total também registra queda

 

Além da mudança na participação entre marcas licenciadas e offshore, a Blask identificou retração no interesse geral pelo iGaming brasileiro.

 

No período de 21 a 27 de setembro, o Blask Index do Brasil caiu 20,1% na comparação semanal. A plataforma registrou, entretanto, um pico diário de demanda em 26 de setembro, quando o índice avançou 41,45% em relação ao dia anterior em meio à repercussão da medida.

 

Os números mostram que o mercado atravessa uma fase de forte transição, com redução do interesse agregado e, simultaneamente, aumento da participação relativa das marcas offshore.

 

Dados mostram primeiros efeitos da proibição

 

A evolução observada nos primeiros dias após a publicação da medida aponta para uma transformação acelerada no mercado brasileiro de iGaming.

 

A participação das marcas offshore saiu de 3,4% em 24 de setembro para 9,9% em 29 de setembro, enquanto a presença das 20 marcas mais promovidas em sites afiliados caiu de 715 para 418 páginas no mesmo período de uma semana.

 

Os dados da Blask representam indicadores de demanda, visibilidade e cobertura digital e não devem ser interpretados isoladamente como medida de faturamento ou de migração efetiva de todos os apostadores.

 

Ainda assim, o movimento oferece um primeiro retrato de como a restrição ao mercado regulado pode estar alterando o ambiente digital de apostas no Brasil, justamente enquanto as plataformas licenciadas entram no processo de encerramento de suas operações.

 

Sobre a Blask

 

A Blask é uma plataforma de análise de mercado voltada ao setor de iGaming e apostas. A empresa utiliza inteligência artificial para reunir dados de fontes abertas e acompanhar indicadores como demanda dos usuários, visibilidade de marcas e desempenho dos mercados.

 

Atualmente, a plataforma monitora 142 países e utiliza o Blask Index para acompanhar a evolução da demanda por iGaming em diferentes mercados.

 

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