Decisão de Luiz Fux no STF pode derrubar proibição das bets e mudar mercado de apostas
Ministro analisa ações que questionam a Medida Provisória nº 1.394/2026; eventual decisão favorável às empresas pode permitir a retomada das apostas online no Brasil
Thaynara Godinho em 5 de outubro de 2026

A proibição das bets no Brasil pode estar longe de representar uma decisão definitiva. O futuro das plataformas de apostas online agora passa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Luiz Fux é responsável pela análise de ações que questionam a medida adotada pelo governo federal.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, existe preocupação com a possibilidade de o magistrado suspender os efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026. Caso isso aconteça, as empresas que atuavam de forma regular no país poderiam voltar a operar, alterando novamente o cenário do setor.
A discussão envolve questões econômicas, jurídicas e sociais e ocorre poucos dias após o governo intensificar o bloqueio de sites considerados ilegais e ampliar as ações contra empresas e perfis relacionados às apostas.
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Fux dá 72 horas para AGU se manifestar sobre medida que proibiu bets no Brasil
A possibilidade de uma reversão ganhou força depois que a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) apresentaram pedidos para suspender os efeitos da medida.
As entidades sustentam que a MP provocou uma mudança abrupta nas regras para empresas que já haviam obtido autorização para atuar legalmente no Brasil.
Um dos principais argumentos apresentados é o de que a medida teria comprometido a segurança jurídica, especialmente porque algumas operadoras já haviam realizado o pagamento da outorga exigida pelo governo para obter o direito de exploração da atividade durante o período autorizado.
A discussão chegou ao STF justamente porque as entidades defendem que uma mudança tão ampla no funcionamento do mercado deveria estar acompanhada de justificativas técnicas e demonstração concreta dos requisitos constitucionais para a edição de uma medida provisória.
Fux dá prazo para governo apresentar sua defesa
Diante dos questionamentos, Luiz Fux determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentasse manifestação sobre os processos.
O ministro estabeleceu inicialmente um prazo de 72 horas para que o governo se posicionasse sobre os pedidos apresentados pelas entidades do setor.
Na manifestação encaminhada ao Supremo, a AGU adotou uma posição ainda mais ampla e pediu que a Corte considere inconstitucionais as Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023, que formam parte da base legal utilizada para a regulamentação das apostas de quota fixa no país.
A legislação de 2018 abriu caminho para a exploração das apostas esportivas, enquanto a norma de 2023 estabeleceu as regras para regulamentação e funcionamento do mercado brasileiro.
Uma eventual decisão do STF sobre essas normas poderá, portanto, ter efeitos que vão além da atual proibição estabelecida pela medida provisória.
Governo aposta em argumentos sociais para manter a medida
O governo federal defende a manutenção da proibição com base principalmente nos impactos sociais e financeiros relacionados às apostas.
Entre os argumentos apresentados estão a necessidade de proteger famílias contra o endividamento, restringir o acesso de públicos considerados vulneráveis às plataformas e combater a utilização das bets por organizações criminosas para movimentação e lavagem de dinheiro.
Segundo dados apresentados pelo Ministério da Fazenda, cerca de 28,65 milhões de CPFs ainda mantêm aproximadamente R$ 1,45 bilhão em valores depositados nas operadoras.
O governo também intensificou a atuação contra plataformas consideradas ilegais. Entre o fim de setembro e o início de outubro, mais de 10 mil sites foram encaminhados para bloqueio, enquanto milhares de perfis em redes sociais foram alvo de pedidos de remoção.
A ofensiva também envolve órgãos de segurança pública, com o fortalecimento de estruturas voltadas à investigação de possíveis esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao mercado de apostas.
Decisão pode recolocar bets no mercado brasileiro
O ponto central da disputa está nos efeitos que uma eventual decisão favorável às empresas teria sobre o mercado.
Caso Fux suspenda a eficácia da MP nº 1.394/2026, as plataformas atingidas pela proibição poderão buscar novamente autorização para operar, dependendo dos termos definidos pelo Supremo.
Isso também abriria uma nova discussão sobre contratos comerciais, patrocínios esportivos, publicidade e investimentos realizados pelas empresas que receberam autorização para atuar no país.
Clubes de futebol, entidades esportivas e empresas que dependem direta ou indiretamente do setor acompanham o processo de perto.
Por outro lado, uma decisão contrária às entidades poderá fortalecer a estratégia do governo e manter a restrição enquanto o STF avalia de forma mais aprofundada a constitucionalidade das normas que regulamentaram o setor.
Governo tenta convencer Fux a manter restrições
Apesar da preocupação com uma possível suspensão da medida, integrantes do governo ainda apostam na possibilidade de convencer o ministro Luiz Fux a manter as restrições.
A estratégia também leva em consideração decisões anteriores do próprio magistrado envolvendo as apostas. Fux já havia determinado restrições relacionadas à publicidade direcionada ao público infantil e ao uso de recursos do Bolsa Família em apostas.
Para o governo, essas decisões demonstrariam que o Supremo reconhece a existência de riscos sociais associados à atividade e a necessidade de estabelecer limites para proteger grupos vulneráveis.
A decisão que será tomada agora, no entanto, pode representar um dos momentos mais importantes da disputa entre o governo e o setor de apostas.
Enquanto o Planalto tenta sustentar a proibição com argumentos de proteção social e combate ao crime organizado, as empresas defendem a preservação da segurança jurídica e dos direitos adquiridos durante o processo de regulamentação.
Com a questão nas mãos do STF, o futuro das bets no Brasil pode sofrer uma nova reviravolta nos próximos dias.
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