Flávio Bolsonaro critica fim das bets e diz que medida pode impactar Copa do Mundo feminina no Brasil
Candidato do PL questionou a proibição das apostas de quota fixa e afirmou que o fim dos patrocínios pode afetar clubes e o futebol feminino; governo sustenta que medida alcança apostas esportivas e jogos online
Thaynara Godinho em 28 de setembro de 2026

O candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, criticou neste domingo (27) a Medida Provisória editada pelo governo federal que determina o fim das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, no Brasil. Durante agenda de campanha em Goiânia (GO), o senador afirmou que a decisão pode provocar impactos no futebol e chegou a relacionar a medida à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil.
A crítica ocorreu durante um evento político que reuniu aliados do PL em Goiás, a poucos dias do primeiro turno das eleições. Flávio classificou a decisão como uma “temeridade” e questionou os efeitos da interrupção dos contratos de publicidade e patrocínio firmados entre empresas de apostas e clubes esportivos.
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A MP foi publicada pelo governo federal na sexta-feira (25) e proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa em território nacional. A medida também alcança jogos online.
Durante conversa com jornalistas, Flávio Bolsonaro afirmou que a medida pode afetar contratos já estabelecidos entre empresas de apostas e clubes de futebol. Na avaliação apresentada pelo candidato, o futebol feminino estaria entre os segmentos mais atingidos pela retirada dos patrocínios.
“Olha o impacto disso. Ele quebra todos os contratos que vários clubes de futebol, por exemplo, tinham com essas empresas”, declarou.
Na sequência, o candidato citou a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como sede, e afirmou que a decisão do governo poderia criar dificuldades para a competição.
“Tem risco de não ter Copa do Mundo feminina por causa dessa canetada do Lula”, disse Flávio.
A relação apontada pelo candidato entre a medida e a realização do torneio, porém, foi apresentada como uma avaliação política de Flávio Bolsonaro. A MP estabelece restrições à atividade de apostas e à publicidade e determina a retirada de campanhas e materiais de patrocínio relacionados às bets.
Outro ponto destacado por Flávio foi a distinção entre apostas esportivas e os chamados cassinos online. O candidato argumentou que as duas modalidades possuem características diferentes e criticou o fato de a MP alcançar ambas.
Em outras declarações durante a agenda em Goiânia, Flávio afirmou que, caso eleito, pretende manter as apostas esportivas e combater os jogos de cassino online e plataformas ilegais.
A legislação anunciada pelo governo, entretanto, trata as atividades dentro do mesmo conjunto de restrições estabelecidas para apostas de quota fixa e jogos online. Segundo informações oficiais, a proibição envolve a exploração, oferta, intermediação e publicidade das atividades abrangidas pela medida.
Flávio também afirmou que a mudança poderá atingir estabelecimentos comerciais que comercializam produtos ou utilizam marcas relacionadas às empresas de apostas.
“Não vão poder mais vender também. Olha o prejuízo generalizado. É uma temeridade fazer isso do dia para a noite”, afirmou.
A Medida Provisória entrou em vigor com a publicação no Diário Oficial da União em 25 de setembro. O texto estabelece um cronograma para a interrupção das operações e para a devolução dos valores mantidos pelos apostadores nas plataformas.
Desde a publicação da MP, novos aportes estão proibidos. Os usuários têm até 23h59 de 5 de outubro para realizar voluntariamente a retirada dos valores disponíveis. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.
A retirada também envolve a publicidade e os patrocínios. As empresas precisam interromper novas ações de divulgação e retirar anúncios e materiais relacionados às marcas de apostas dentro do cronograma definido pelo governo.
A medida ainda precisa passar pelo Congresso Nacional. Caso não seja convertida em lei dentro do prazo constitucional, a MP perde sua validade.
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro também direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relacionando o governo federal aos cassinos online e ao chamado “Jogo do Tigrinho”.
O candidato utilizou um documento impresso que chamou de “exame de DNA” para fazer uma associação política entre Lula e a modalidade.
A agenda em Goiás ocorreu na reta final da campanha para o primeiro turno. Flávio também confirmou que pretende participar do debate presidencial da TV Globo marcado para 1º de outubro.
A campanha de Flávio em Goiás também foi acompanhada por referências às pesquisas eleitorais realizadas no estado.
Na rodada divulgada em 24 de setembro, o instituto Quaest apresentou números para a disputa presidencial entre os eleitores goianos. Naquele levantamento, Flávio aparecia com 33% das intenções de voto, enquanto Lula tinha 27% e Ronaldo Caiado registrava 23%, segundo os dados informados na ocasião.
Pesquisas eleitorais representam um retrato das intenções de voto no período em que são realizadas e podem mudar ao longo da campanha. Levantamentos posteriores podem apresentar cenários diferentes.
A agenda de Flávio Bolsonaro contou com uma carreata e um ato político na capital goiana. Entre os participantes estavam o candidato ao governo de Goiás Wilder Morais (PL), a candidata a vice-governadora Ana Paula Rezende (PL) e os candidatos ao Senado Gustavo Gayer (PL) e Oséias Varão (PL).
A passagem por Goiás faz parte da estratégia de campanha do candidato na última semana antes do primeiro turno das eleições de 2026.
A discussão sobre o futuro das bets deve continuar no Congresso e também no setor de apostas, que avalia medidas jurídicas e políticas em reação à MP. A decisão do governo também abriu debate sobre arrecadação, contratos de patrocínio, publicidade esportiva e os efeitos da proibição sobre empresas que receberam autorização para operar no país.
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