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Proibição das bets pode ter prejudicado Lula no 1º turno da eleição

Medida anunciada na reta final da campanha teria provocado reação nas redes sociais e ampliado o apoio a Flávio Bolsonaro entre eleitores da classe C, segundo avaliação de integrantes da campanha petista

Thaynara Godinho em 5 de outubro de 2026

Proibição das bets pode ter prejudicado Lula no 1º turno da eleição

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as bets no Brasil pode ter provocado efeitos negativos para sua campanha no primeiro turno da eleição presidencial. A avaliação é feita por integrantes do próprio grupo responsável pela tentativa de reeleição do petista, após o resultado das urnas neste domingo (04).

 

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, o banimento das apostas esportivas e dos jogos online, anunciado apenas nove dias antes da votação, teria gerado uma reação entre parte dos eleitores, principalmente nas camadas populares.

 

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Um monitoramento realizado pela campanha identificou movimentações de influenciadores com forte alcance entre a classe C, que passaram a defender o chamado voto útil em Flávio Bolsonaro (PL) como uma resposta à decisão do governo de retirar as plataformas de apostas do mercado.

 

O momento escolhido para anunciar a proibição também passou a ser questionado internamente pela campanha. A decisão foi tomada quando a eleição já estava em sua fase decisiva, deixando pouco espaço para que o governo explicasse os motivos da medida e reduzisse eventuais impactos eleitorais.

 

A avaliação de integrantes do núcleo de campanha é que o tema conseguiu mobilizar grupos que tinham relação direta com as plataformas de apostas, seja como usuários, seja por atividades ligadas ao setor.

 

O receio agora é que a repercussão aumente nos próximos dias, especialmente com o avanço do cronograma estabelecido pela medida provisória.

 

A partir de terça-feira (07), os sites de apostas deverão começar a ser retirados do ar, conforme as regras determinadas pelo governo. Até lá, apostadores que ainda possuem saldo nas plataformas continuam podendo utilizar os serviços dentro das condições previstas para a transição.

 

Decisão provocou divergências dentro do governo

 

O banimento das bets não foi uma decisão consensual entre os principais integrantes do entorno presidencial. Segundo o relato publicado por O Globo, houve resistência dentro da própria campanha em relação à estratégia adotada por Lula.

 

Entre os defensores de uma proibição completa estavam o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e a primeira-dama Janja da Silva.

 

Palmeira avaliava que uma medida de grande impacto poderia fortalecer a campanha justamente na reta final da eleição. A estratégia seria apresentar uma ação capaz de gerar repercussão e dialogar com uma parcela significativa do eleitorado.

 

Janja, por outro lado, teria considerado que a proibição poderia encontrar maior receptividade entre as mulheres, grupo considerado importante para a estratégia eleitoral do presidente.

 

Aliados apontavam risco de reação negativa

 

Parte dos integrantes da campanha, porém, avaliava que o banimento total representava um risco político elevado.

 

A preocupação estava relacionada não apenas aos apostadores, mas também aos setores econômicos e esportivos que passaram a depender das receitas provenientes das apostas regulamentadas.

 

Os clubes de futebol, por exemplo, estão entre os segmentos diretamente afetados pelas mudanças no mercado de apostas, principalmente por causa dos contratos de patrocínio firmados com empresas do setor.

 

Para os críticos da decisão dentro do próprio grupo político, uma mudança tão abrangente pouco antes da eleição poderia gerar insatisfação justamente entre eleitores que não necessariamente tinham uma posição consolidada sobre a disputa presidencial.

 

Mesmo diante das divergências, Lula decidiu seguir com a proibição.

 

Reação nas redes acendeu alerta na campanha

 

O monitoramento das redes sociais passou a ser um dos principais sinais de preocupação para a campanha petista após o anúncio.

 

A identificação de influenciadores associados ao público de menor renda defendendo apoio a Flávio Bolsonaro fez com que integrantes da equipe avaliassem que a medida poderia ter produzido um efeito eleitoral contrário ao esperado.

 

A interpretação é de que a discussão sobre as bets deixou de ser apenas uma questão de regulação econômica e passou a integrar o debate político da eleição.

 

O impacto definitivo da decisão, entretanto, ainda deverá ser analisado com mais profundidade pela campanha, principalmente a partir da evolução do segundo turno e da implementação efetiva do bloqueio das plataformas.

 

Proibição das bets entra no debate do segundo turno

 

Com a eleição avançando para uma nova etapa, o governo agora terá de administrar a repercussão da medida enquanto coloca em prática o cronograma para retirar as plataformas ilegais e interromper a operação das demais empresas atingidas pelas novas regras.

 

A estratégia que inicialmente era apresentada como uma ação de forte impacto na reta final da campanha passou a ser avaliada internamente também pelo potencial de gerar desgaste eleitoral.

 

O episódio mostra como a política de apostas se transformou em um tema relevante na disputa presidencial e passou a atingir diretamente diferentes setores da sociedade, do mercado esportivo aos próprios apostadores.

 

Para a campanha de Lula, o desafio agora é evitar que a repercussão negativa da medida se amplie durante o segundo turno e seja convertida em novos votos para seus adversários.

 

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